GA3:26-27 – intuição

Casanova

Uma vez que a intuição humana, enquanto finita, recebe, mas a possibilidade de um “recebimento” receptor requer afecção, os instrumentos factuais da afecção, os “sentidos”, são necessários. A intuição humana não é “sensível”, porque a sua afecção acontece através dos instrumentos dos “sentidos”, mas passa-se o inverso: uma vez que o nosso Dasein é um Dasein finito – que existe no meio daquilo que já é e que lhe está entregue –, ele tem necessariamente de receber aquilo que já é, ou seja, tem de dar ao ente a possibilidade de se anunciar. Para a transmissão possível do anúncio são necessários instrumentos. A essência da sensibilidade consiste na finitude da intuição. Portanto, os instrumentos que servem a afecção são instrumentos dos sentidos porque pertencem à intuição finita, isto é, à sensibilidade. Com isto, Kant conquistou pela primeira vez o conceito ontológico, não-sensualista da sensibilidade. Por conseguinte, se uma intuição empiricamente afetiva do ente não equivale necessariamente à “sensibilidade”, então permanece aberta essencialmente a possibilidade de uma sensibilidade não empírica.

Conhecimento é primariamente intuição, ou seja, um representar que representa imediatamente o próprio ente. No entanto, se uma intuição finita deve ser conhecimento, então ela tem de poder tornar acessível o próprio ente enquanto algo manifesto para qualquer um e a qualquer momento naquilo que ele é e como ele é. Os seres intuitivos finitos têm de poder partilhar a respectiva intuição do ente. Porém, a intuição finita enquanto intuição permanece, à partida, sempre presa ao respectivo singular intuído. O intuído só é um ente conhecido, se qualquer um o puder tornar compreensível para si e para os outros e, através disso, o puder partilhar. Assim, por exemplo, este singular intuído, o pedaço de giz aqui, tem de se poder determinar como giz ou como corpo, para que consigamos conhecer uns com os outros este ente como o mesmo ente para nós. A intuição finita, para ser conhecimento, precisa a cada momento de uma tal determinação daquilo que é intuído como tal e tal. [GA3MAC:43-44]

Roth

Waelhens & Biemel

Taft

Original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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