Schérer (1971:143-146) – Daseinanálise de Binswanger (II)

destaque

Se a metáfora tem um significado ontológico, então o conhecimento do seu conteúdo situa-nos imediatamente na dimensão ontológica da existência, e é na própria expressão linguística que podemos alcançar os canais através dos quais a comunicação é dada ou recusada. Enquanto o pensamento objetivista estabelece um fosso intransponível entre o sonho em que o indivíduo se isola e a realidade em que se encontra com os outros, a análise que toma a expressão como tema desloca o centro da questão: é na raiz da expressão que devemos apreender o nascimento da transcendência, para além das fronteiras do Eu individual; pois já estamos na linguagem antes de sermos nós próprios “a linguagem é aquilo que, para todos nós, sonha e cria muito antes de o próprio indivíduo ter começado a sonhar e a criar” (Sonho e Existência, p. 131). Alcançamos assim, no plano simbólico, a camada de afloramento na vida individual e universal desse “nós” originário que subjaz a toda a estrutura do Dasein; o caminho do estudo da linguagem na sua forma não racional mas metafórica permite-nos seguir concretamente, no plano existencial, quer a rejeição quer a explicitação (146) desse nós, contemporâneo da possibilidade de o indivíduo assumir a transcendência, isto é, a estrutura de ser em que se encontra.

original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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