GA9:372-374 – Dasein

Giachini & Stein

(…) Para reunir, ao mesmo tempo, em uma palavra, tanto a relação do ser com a essência do homem, como também a (385) referência fundamental do homem à abertura (“aí”) do ser enquanto tal, foi escolhido para o âmbito essencial, em que se situa o homem enquanto homem, o nome “ser-aí”. Isto foi feito, apesar de a metafísica usar esse nome para aquilo que em geral é designado existentia, realidade efetiva, realidade e objetividade, apesar até mesmo de se costumar falar, na linguagem comum, em “ser-aí humano”, repetindo o significado metafísico da palavra. Por isto, obstrui-se toda possibilidade de se pensar o que nós entendemos, quando as pessoas se contentam apenas em averiguar o fato de, em Ser e tempo, usar-se a palavra “ser-aí” ao invés de “consciência”. Como se aqui estivesse apenas em jogo o uso de palavras diferentes, como se não se tratasse desta coisa única: da relação do ser com a essência do homem e, com isto, pensado a partir de nós 1, como se não se tratasse de levar o pensamento primeiramente para diante da experiência essencial do homem, uma experiência suficiente para a interrogação decisiva. Nem a palavra “ser-aí” tomou o lugar da palavra “consciência”, nem a “coisa” chamada “ser-aí” passou a ocupar o lugar daquilo que é representado sob o nome “consciência”. Com o “ser-aí” é designado muito mais aquilo que, pela primeira vez aqui, foi experimentado como âmbito 2, a saber, como o lugar da verdade do ser e que assim deve ser adequadamente pensado.

Aquilo em que se pensa com a palavra “ser-aí” através de todo o tratado Ser e tempo recebe já uma luz desta sentença diretriz (p. 42), que diz: “A ‘essência’ do ser-aí consiste em sua existência”.

Se considerarmos que na linguagem da metafísica a palavra “existência” designa o mesmo que “ser-aí”, a saber, a realidade efetiva de tudo o que é efetivamente real desde Deus até o grão de areia, é claro que apenas se desloca – quando se entende a frase linearmente – a dificuldade do que deve ser pensado da palavra “ser-aí” para a palavra “existência”. O (386) nome “existência é usado em Ser e tempo exclusivamente como caracterização do ser do homem. A partir da “existência” corretamente pensada revela-se a “essência” do ser-aí, em cuja abertura o ser mesmo se anuncia e se oculta, se concede e subtrai, sem que essa verdade do ser no ser-aí se esgote ou se deixe identificar com o ser-aí ao modo do princípio metafísico: toda objetividade é enquanto tal subjetividade. (p. 384-386)

Cortés & Leyte

Walter Kaufmann

Original

  1. 5a edição de 1949: mas não mais a partir de “nós” como sujeitos.[↩]
  2. 5a edição de 1949: dito de maneira insuficiente: a localidade habitada de maneira mortal, a região mortal da localidade.[↩]
  3. N. de los T: la traducción literal sería ‘ser- aquí’, aunque como es sabido la definición tradicional es la de existencia. Vid. nota 9, p. 42.[↩]
  4. 5.a ed. (1949): pero ya no de «nosotros» como sujetos.[↩]
  5. 5.a ed. (1949): dicho insuficientemente: el lugar habitado por los mortales, la región dentro de dicho lugar habitada por los mortales.[↩]
  6. 5. Auflage 1949: aber nicht mehr von »uns« als Subjekten.[↩]
  7. 5. Auflage 1949: Unzureichend gesagt: die sterblich bewohnte Ortschaft, die sterbliche Gegend der Ortschaft.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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