GA8:3 – pensamento e memória

Schneider

Aportamos ao que significa pensar quando nós mesmos pensamos. Para que semelhante tentativa tenha êxito devemos estar dispostos a aprender o pensar (das Denken).

Assim que nos envolvemos nesse aprender também já concedemos que ainda não somos capazes do pensar.

Mas o homem denomina-se aquele que pode pensar – e isso com razão, pois ele é o ser vivo (Lebewesen) racional. A razão, a ratio, desdobra-se no pensar. Como ser vivo racional o homem deve poder pensar, desde que queira, entretanto talvez o homem queira pensar e, mesmo assim, não pode.

No fim das contas, nesse querer pensar ele quer demais e, por isso, pode muito pouco. O homem pode pensar à medida que tem a possibilidade para tanto. Esse possível, porém, ainda não nos garante que somos capazes disso (vermögen), pois apenas somos capazes do que desejamos (mögen). Por outro lado, nós desejamos verdadeiramente apenas (126) aquilo que, por sua vez, apetece (mag) a nós mesmos, e, com efeito, a nós em nossa essência, à medida que concede à nossa essência aquilo que nos mantém nela. Manter significa propriamente custodiar, apascentar nos campos de pastoreio. O que nos mantém na essência, porém, apenas nos mantém enquanto nós mesmos, a partir de nós, mantemos aquilo que mantém. Nós o mantemos, se não permitimos que fuja da memória. A memória é a reunião do pensar. Em quê? Naquilo que nos mantém à medida que isso por nós foi considerado, isto é, pensado pelo fato de que Isso (Es) permanece o que deve ser pensado (zu-Bedenkende). O pensado é o presenteado com uma recordação, presenteado, porque nos apetece. Apenas quando desejamos (mögen) o que por si é o que deve ser pensado, estamos aptos (vermögen) ao pensar.

Becker & Granel

Raúl Gabás

Original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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