GA7:71-72 – a metafísica pertence à natureza do homem

Carneiro Leão

Em que medida a metafísica pertence à natureza do homem? A metafísica re-presenta, de início, o homem como um ente dentre os demais, dotado de capacidades. A essência, qualificada desta ou daquela maneira, a natureza, o teor (o quê) e a modalidade (o como) de seu ser, é em si mesma metafísica: animal (sensibilidade) e rationale (não sensível). Limitado, assim, ao metafísico, o homem permanece atado à diferença desapercebida entre ser e ente. Em toda parte, o modo cunhado pela metafísica de o homem representar em proposições apenas encontra o mundo construído pela metafísica. A metafísica pertence à natureza do homem. Mas o que é a natureza ela mesma? O que é a metafísica ela mesma? Em meio a essa metafísica natural, quem é o homem ele mesmo? Será apenas um eu que, na referência a um tu, só faz consolidar sua egoidade confirmando-se na relação eu-tu?

Em todas as cogitationes, o ego cogito é para Descartes o que já se representa pro-posto e im-posto, sendo o vigente, o inquestionado, o indubitável, o que, cada vez, já está no saber, o certo e sabido em sentido próprio, o previamente consolidado, o que põe tudo em referência a si e deste modo se contra-põe a todo outro.

Ao objeto pertence tanto o teor de consistência (o quid) do que se contrapõe (essentia-possibilitas) como a posição do que se opõe (existentia). O objeto constitui a unidade de persistência dessa consistência. Em sua insistência, a consistência refere-se essencialmente ao pôr da re-presentação como uma posse asseguradora que põe algo diante de si, que pro-põe. O objeto originário é a objetividade em si mesma. A objetividade originária é o “eu penso”, no sentido do “eu percebo”, que já se apresenta e já se apresentou, é subiectum, Na ordem da gênese transcendental do objeto, o sujeito é o primeiro objeto da re-presentação ontológica.

Ego cogito é cogito: me cogitare. [GA7CFS:63-64]

Préau

Stambaugh

Original

  1. Das Was-bestand des Gegenstehenden (…) and das Stehen des Entgegenstehenden (…) Le terme allemand pour « objet », Gegenstand, est littéralement « ob-stant »[↩]
  2. L’ « et », qui ne figure pas dans l’original, est une variante possible (Heid.)[↩]
  3. ego cogito/das subiectum < -- > Anwesend es/Obiectum[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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