GA56-57:44-45 – ter-de (Sollen)

nossa tradução

O ideal tem manifestamente um conteúdo, possui determinações substantivas. É, no entanto, um ideal, não um conteúdo factual, mas uma relação de ter-de (Sollen). Esse caráter de ter-de se opõe a todo ser como o momento de idealidade e validade supra-empírica. Portanto, no significado do método teleológico (art396), pressupõe-se algo essencialmente mais e essencialmente diferente: a dação do ter-de, de modo que o absoluto tenha de ser objetividade primordial. Como um ter-de se dá, qual é o seu correlato de sujeito? Um ser (Sein) se torna teoricamente conhecido, mas um ter-de? Enquanto o direcionamento experiencial original da experiência vivida (Erlebnis) do ter-de, de dação-ter-de e de recepção-ter-de, não for apresentada, o já problemático método permanece obscuro em sua essência. A inclusão do fenômeno de ter-de no método teleológico significa que este não pode mais ser visto como uma estrutura teórica pura. É claro que isso não diz nada contra sua adequação a propósitos científicos primordiais, especialmente porque a filosofia transcendental crítica de Rickert já vê a teoria como carregada de valor e necessariamente relacionada a ela. Onde sem o menor desconforto – uma vez que é absolutamente cego para todo o mundo de problemas implícitos no fenômeno do ter-de – o conceito de ter-de encontra emprego filosófico, aí encontramos conversas ociosas não científicas, que não são enobrecidas pelo fato de que este ter-de é transformado na pedra fundamental de um sistema inteiro. Por outro lado, essa fixação no ter-de é um sinal de que a problemática filosófica foi introduzida mais profundamente do que o habitual. Embora o fenômeno e sua posição de primazia permaneçam não esclarecidos, certamente estão envolvidos motivos genuínos, e é preciso apenas segui-los.

Sadler

Original

  1. Rickert, Gegenstand, 3. Aufl., S. 207.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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