GA56-57:216-218 – objetivação como des-vivificação

tradução do inglês

O princípio dos princípios pertencente à atitude fenomenológica: tudo o que é dado em intuição primordial deve ser aceito justo como se dá ele mesmo. Nenhuma teoria como tal pode mudar nada aqui, pois o princípio dos princípios é ele mesmo não mais teórico; ele expressa a fundamental estança da vida da fenomenologia: a simpatia da experiência com a vida! Essa é a intenção básica. Não tem nada a ver com irracionalismo ou com a filosofia do sentimento. Pelo contrário, essa postura fundamental é clara, como a própria vida em seu nível básico. A postura fenomenológica fundamental não é uma rotina – não pode ser adquirida mecanicamente, o que tornaria a fenomenologia uma farsa. Não é nada prontamente à mão, mas deve ser adquirido lenta e vigorosamente.

Essa intuição fenomenológica – não é ela própria um comportamento para algo. Separação do originário dado desde a reflexão teórica. Objetivação assim inevitável do dado originário. Portanto, de fato teorético?

Dificuldade fundamental: supõe-se que a descrição, isto é, a formulação linguística, esteja teoreticamente contaminada. Isso ocorre porque o sentido é essencialmente tal como pretender algo objetivamente. É a essência da realização de sentido tomar um objeto como objeto. Além disso, a universalidade do sentido das palavras deve necessariamente ter o caráter de generalização, assim, de teorização. O comportamento intuitivo é identificado com a própria descrição, como se o método da descrição fosse, no final, uma espécie de intuição: na verdade, só posso descrever o que já vi.

Mas na intuição há algo. Assim, a intuição também contém uma separação entre o dado e a consciência. Aqui está a questão decisiva, se este não é ele mesmo um preconceito teorético.

No comportamento intuitivo, estou olhando para algo (etwas). O “mero algo” – a definibilidade de objetividade em geral é a mais remota da vida, o ponto mais alto de des-vivificação no processo de teorização. Portanto, de fato, teorético.

Para ver claramente, separação fundamental. É o “algo em geral” realmente o ponto mais alto do processo de des-vivificação, a teorização absoluta? Pode-se demonstrar que esse preconceito é teorético.

Para ver isso: a experiência do púlpito. Processo de teorização progressiva: no final “os elementos são alguma coisa”.

Emerge que a caracterização ‘é algo’ pode ser direcionada a todos os níveis do processo de objetivação.

Disto emerge o princípio de que as etapas individuais do processo de des-vivificação estão sujeitas a uma graduação específica; por outro lado, a forma de objetividade “algo em geral” é livre, não atada a estágios.

É, portanto, evidente que a objetividade formal não pertence em absoluto aqui, além disso, o “algo em geral” não é teoricamente motivado.

11. IV. 1919

É necessário perceber a necessidade fundamental da fenomenologia: que o “algo em geral” não pertence ao processo de des-vivificação da teorização, mas sim à esfera fenomenológica primordial.

Experiência ambiental: estágios de objetivação e des-vivificação progressiva; cada um possuindo um motivo fundador e um caráter qualitativo como palco. Mesmo o ‘algo formal-lógico’ não está vinculado à experiência teorética, mas é livre. Esse princípio se aplica também ao comportamento ateorético, religioso, valorativo e estético.

Portanto, se algo formal-lógico não puder ser motivado através de um estágio ou nível específico, uma motivação qualitativamente diferente deve ser encontrada.

O algo de objetividade formal-lógica não está limitado a algo semelhante a um objeto. Fundamentalmente, ele volta ao senso do experienciável como tal. Tudo experienciável é algo.

Ainda não é o nível motivacional final de “algo”, mas apenas na esfera que é própria a ele.

O experienciável (Erlebbare) como tal, concebido como ‘algo’, já está teorizado. A experiência religiosa: a possibilidade, residindo na experiência como tal, que ela pode ser revestida em ‘algo’, de que tudo o que é experienciável contém o caráter de ‘algo’. Em outras palavras, o caráter de “algo” pertence de maneira absoluta à vida como tal: esse é o algo fenomenológico. Estende-se à esfera da vida, na qual nada ainda é diferenciado, nada ainda é mundano: o caráter fenomenológico de “algo” é pré-mundano. O caráter primordial de “algo em geral” é o caráter básico da vida enquanto tal. A vida é em si mesma motivada e tendencial: tendência motivadora, motivação tendencial.

Sadler

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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