Vezin (ET:521-523) – “ser” em Dasein

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Mas ao Dasein, “o ser não é dado passivamente, como o é o ser das coisas” (J. Patocka), não basta “deixar-se ir a ser” (A. Artaud). Temos que carregar o nosso ser, e é a originalidade do Dasein ter — por mais difícil que seja — “ser” (p. 42). Este modo específico que o homem tem de ser não é ainda o próprio Dasein, mas é o ser do Dasein; e este ser, Heidegger reserva-lhe o nome de Existenz, tal como acaba de irromper na tradução alemã de Kierkegaard. É assim que podemos ler (p. 53), “Das Dasein existiert”, o Dasein existe. Trata-se de uma fórmula breve e crucial, a partir da qual se torna claro que a tradução de Existenz por existência é essencial, mas também que a tradução “clássica” de Dasein por existência é impossível (“a existência existe”??); a distinção a fazer entre existência (Existenz) e Dasein, estabelecida na página 12, é claramente colocada, e podemos mesmo dizer, com Machado, para caracterizar a direção em que este tratado se encaminha, que “para penetrar no ser, não há outra porta senão a existência do homem” (Juan de Mairena, p. 266). Em suma: adjacente à questão do ser, mas não confundida com ela, está a questão do Dasein, porque a experiência mais imediata do “ser” que temos é o “eu sou”. É assim que o esboço do livro admitirá que, para darmos uma interpretação do sentido do ser em geral ao seu “horizonte”, teremos de passar pela análise ontológica do Dasein.

original

  1. Cf. J. Beaufret, Entretiens avec F. de Towarnicki, éd. P.U.F., 1984, p. 16.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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