Vezin (ET:519-521) – Dasein

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Passemos à introdução do livro (SZ), na página 7. A palavra Dasein aparece aí pela primeira vez, com o significado “habitual”, como especifica a nota de rodapé nesse ponto. É citada no meio de uma enumeração, pelo que Heidegger está, por assim dizer, a abandonar o seu significado filosófico clássico (existência). O Dasein aparecerá então em itálico na frase que o introduz no seu novo significado:

“Este ser que somos a cada vez e que tem, entre outras possibilidades de ser, a de questionar, damos-lhe o seu lugar na nossa terminologia sob o nome de Dasein”.

Estamos no início de um tratado. O autor estabelece e explica o seu vocabulário. Assim seja. Mas o que é que Heidegger faz exatamente com o Dasein? A sua frase é clara. Verifica-se que não é nem a vida nem a existência, mas nós mesmos, isto é, o ser-homem, que se chamará Dasein. Heidegger substitui a palavra homem por Dasein.

Heidegger não foi o primeiro a “desbatizar” o homem para lhe dar outro nome. Quando falamos de uma cidade de vinte mil almas, quando dizemos: não havia uma alma viva, alma e homem são termos intercambiáveis. A predileção de Max Scheler pela palavra pessoa é outro exemplo. Quando La Fontaine escreve: “Descartes, esse mortal de quem se teria feito um deus…”, toda a gente compreende que por mortal se entende o homem (La Fontaine segue aqui o latim, que em muitos casos prefere mortalis a homo). E o “microcosmo” a que Maurice Scève dedica um poema inteiro continua a ser o homem.

original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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