O vigor de ter sido surge, de certo modo, do porvir. STMS: ET65
O vigor de ter sido surge do porvir e isso de tal maneira que o porvir do ter sido (melhor, do que tem sido) deixa vir-a-si a atualidade. STMS: ET65
Chamamos de temporalidade este fenômeno unificador do porvir (410) que atualiza o vigor de ter sido. STMS: ET65
O já-ser-em… anuncia em si o vigor de ter sido. STMS: ET65
Somente porque a cura se funda no vigor de ter sido é que a presença (Dasein), enquanto ente-lançado, pode existir. “ STMS: ET65
O sentido existencial primário da facticidade reside no vigor de ter sido. STMS: ET65
Indica, sobretudo, que a atualização, na qual se funda primariamente a decadência das ocupações com o que está à mão e o ser simplesmente dado, também está incluída nos modos da temporalidade originária de porvir e vigor de ter sido. STMS: ET65
Os momentos da cura não podem ser ajuntados, somando os pedaços, bem como a própria temporalidade não pode se conjugar “com o tempo”, ajuntando porvir, vigor de ter sido e atualidade. STMS: ET65
Porvir, vigor de ter sido e atualidade mostram os caracteres fenomenais do “para si mesma”, “de volta para”, “deixar vir ao encontro de”. STMS: ET65
Chamaremos, pois, os fenômenos caracterizados de porvir, vigor de ter sido e atualidade, de ekstases da temporalidade. STMS: ET65
Contudo, ele não se temporalizaria se não fosse temporal, isto é, se não fosse determinado, de modo igualmente originário, pelo vigor de ter sido e pela atualidade. STMS: ET68
Na decisão não apenas se recupera a atualidade da dispersão nas ocupações imediatas como ela se mantém atrelada ao porvir e ao vigor de ter sido. STMS: ET68
O compreender impróprio temporaliza-se como um aguardar atualizante a cuja unidade ekstática pertence necessariamente um vigor de ter sido, que lhe corresponde. STMS: ET68
Esse esquecer não é um nada negativo, nem simplesmente a falta de recordação, mas um modo próprio, “positivo” e ekstático do vigor de ter sido. STMS: ET68
A ekstase (retração) do esquecer tem o caráter de uma extração, fechada para si mesma, do vigor de ter sido em sentido mais próprio, de tal maneira que esse extrair-se de… fecha, ekstaticamente, aquilo de que se extrai e, com isso, a si mesmo. STMS: ET68
No sentido impróprio do vigor de ter sido, o esquecimento refere-se ao próprio ser e estar lançado; o esquecimento é o sentido temporal do modo de ser em que, numa primeira aproximação e na maior parte das vezes, eu, tendo sido, sou. STMS: ET68
Assim como a espera só é possível com base no aguardar, também a recordação só é possível com base no esquecer e não o contrário; pois, no modo do esquecimento, o vigor de ter sido “abre”, primariamente, o horizonte em que a presença (Dasein), perdida na “exterioridade” das ocupações, pode recordar-se. STMS: ET68
Existencialmente, só é possível colocar-se diante desse que (se é) do próprio estar-lançado – seja desvelando com propriedade ou encobrindo com impropriedade – quando o ser da presença (Dasein), de acordo com seu sentido, é constantemente o vigor de ter sido. STMS: ET68
O colocar-se diante deste ente-lançado, que impessoalmente se é, não cria o vigor de ter sido. STMS: ET68
O compreender funda-se, primariamente, no porvir, ao passo que a disposição se temporaliza, primariamente, no vigor de ter sido. STMS: ET68
Humor temporaliza-se, ou seja, a sua ekstase específica pertence a um porvir e a uma atualidade mas de tal forma que o vigor de ter sido modifica as ekstases igualmente originárias. STMS: ET68
A tese segundo a qual “disposição funda-se, primariamente, no vigor de ter sido” diz que o caráter existencial básico do humor é uma recolocação em… (426) A recolocação não produz o vigor de ter sido, mas a disposição sempre revela, para a análise existencial, um modo do vigor de ter sido. STMS: ET68
Em que medida o vigor de ter sido é o sentido existencial que o possibilita? Que modo desta ekstase caracteriza a temporalidade específica do medo? Medo é ter medo do que ameaça. STMS: ET68
Mas não será esta abertura de ter medo de alguma coisa um deixar vir-a-si? Não é correta a determinação do medo como espera de um mal que está vindo (malum futurum)? Não será o sentido temporal primário do medo tanto o porvir como o vigor de ter sido? Indiscutivelmente, o medo não apenas se “relaciona” com o que “está por vir”, entendido como o que só advém “no tempo”, mas também esse relacionar-se, em si mesmo, já está por vir, no sentido do tempo originário. STMS: ET68
A unidade ekstática específica que, do ponto de vista existencial, possibilita o ter medo temporaliza-se, primariamente, a partir do esquecimento acima caracterizado que, enquanto modo do vigor de ter sido, lhe modifica tanto a atualidade quanto o porvir, em (428) sua temporalização. STMS: ET68
Colocar-se diante da possibilidade de retomada é o modo ekstático específico do vigor de ter sido, constitutivo da disposição da angústia. STMS: ET68
A possibilidade de apoderar-se, que distingue o humor da angústia, comprova-se na temporalidade específica da angústia por (430) ela fundar-se, originariamente, no vigor de ter sido e porque somente a partir dele é que se temporalizam porvir e atualidade. STMS: ET68
Em seu sentido temporal, este “crescer” da angústia, a partir da própria presença (Dasein), significa que o porvir e a atualidade da angústia se temporalizam a partir de um vigor de ter sido originário, entendido como recolocar a possibilidade de retomada. STMS: ET68
Embora ambos os modos da disposição, medo e angústia, estejam fundidos primariamente num vigor de ter sido, na totalidade da cura, a sua temporalização própria tem, cada vez, uma origem diferente. STMS: ET68
Mas será que, talvez, a tese da temporalidade dos humores não valha apenas no caso dos fenômenos escolhidos para a análise? Como se pode encontrar um sentido temporal na morna ausência de humores que domina o “cotidiano cinzento”? E o que dizer da temporalidade dos humores e afetos como esperança, alegria, encantamento e jovialidade? Que não apenas o medo e a angústia mas também outros fenômenos estão existencialmente fundados num vigor de ter sido, isso se mostra, claramente, quando nomeamos (431) fenômenos tais que tédio, tristeza, melancolia e desespero. STMS: ET68
Este ir levando a vida, que “deixa tudo ser” como é, funda-se num esquecer que se abandona ao estar-lançado, possuindo o sentido ekstático de um vigor de ter sido, impróprio. STMS: ET68
Afetado pode ser somente aquele ente que, de acordo com seu sentido ontológico, se dispõe, isto é, que, existindo, já é sempre o vigor de ter sido e existe num modo constante do vigor de ter sido. STMS: ET68
Do ponto de vista ontológico, a afecção pressupõe a atualização e isso de tal maneira que, nela, a presença (Dasein) pode ser recolocada em si (432) mesma enquanto o que já é o vigor de ter sido. STMS: ET68
Da mesma forma que o porvir possibilita primariamente o compreender e o vigor de ter sido possibilita o humor, o terceiro momento estrutural da cura, a decadência, encontra seu sentido existencial na atualidade. STMS: ET68
Enquanto esta atualização presa em si (433) mesma ao ser simplesmente dado, a curiosidade está numa unidade ekstática com um porvir e um vigor de ter sido correspondentes. STMS: ET68
Mesmo atualizando, a presença (Dasein) ainda se compreende, embora alienada de seu poder-ser mais próprio, primariamente fundado no porvir e no vigor de ter sido, em sentido próprio. STMS: ET68
A atualidade surge de seu próprio porvir e vigor de ter sido para então deixar, pelo viés de si mesma, que a presença (Dasein) venha à existência própria. STMS: ET68
A disposição temporaliza-se, primariamente, no vigor de ter sido (retomada e esquecimento). STMS: ET68
Não obstante, a compreensão é sempre atualidade “do vigor de ter sido”. STMS: ET68
Não obstante, a atualidade “surge” ou se sustenta num porvir do vigor de ter sido. STMS: ET68
O porvir não vem depois do vigor de ter sido, e este não vem antes da atualidade. STMS: ET68
A temporalidade se temporaliza num porvir atualizante do vigor de ter sido. STMS: ET68
A unidade ekstática da temporalidade, isto é, a unidade do “fora de si” nas retrações de porvir, vigor de ter sido e atualidade é a condição de possibilidade para que um ente possa existir como o seu “pre (das Da)”. STMS: ET69
O enraizamento da atualidade no porvir e no vigor de ter sido é a condição existencial e temporal de possibilidade para que aquilo (448) que se projetou no compreender da compreensão, guiada por uma circunvisão, possa ser colocado mais perto numa atualização. STMS: ET69
Este esquema caracteriza a estrutura horizontal do vigor de ter sido. STMS: ET69
A unidade dos esquemas horizontais de porvir, vigor de ter sido e atualidade funda-se na unidade ekstática da temporalidade. STMS: ET69
Com a presença (Dasein) fática, um poder-ser está sempre lançado no horizonte do porvir, o “já-ser” está sempre aberto no horizonte do vigor de ter sido, e aquilo de que se ocupa já está sempre descoberto no horizonte da atualidade. STMS: ET69
Assim como, na unidade de temporalização da temporalidade, a atualidade surge do porvir e do vigor de ter sido, também o horizonte de uma atualidade se temporaliza, de modo igualmente originário, (454) nos horizontes de porvir e vigor de ter sido. STMS: ET69
Em sentido rigorosamente ontológico, a presença (Dasein), que não mais existe, não é passada, mas o vigor de ter sido presença (Dasein). STMS: ET73
As antiguidades ainda simplesmente dadas possuem um caráter “passado” e histórico, com base em sua pertinência instrumental e proveniência do ter sido de um mundo que pertence a uma presença (Dasein) que é o vigor de ter sido presença (Dasein). STMS: ET73
Mas será que a presença (Dasein) só se (472) torna histórica por não mais estar presente? Ou será que ela é histórica justamente em existindo faticamente? Será a presença (Dasein) o ter sido apenas no sentido do vigor de ter sido presença (Dasein), ou será ela o ter sido enquanto atualizante e porvindouro, ou seja, na temporalização de sua temporalidade? A partir dessa análise provisória do instrumento simplesmente dado e que, não obstante, é algo “passado” e pertencente à história, torna-se claro que esse ente só é histórico com base em sua pertinência ao mundo. STMS: ET73
Além disso, mostra-se que a determinação temporal de “passado” não tem um sentido unívoco, distinguindo-se, claramente, do vigor de ter sido, que aprendemos ser um constitutivo da unidade ekstática da temporalidade da presença (Dasein). STMS: ET73
Com isso, acirra-se o enigma, por que justamente o “passado”, mais precisamente, o vigor de ter sido, determina prevalentemente o histórico, já que o vigor de ter sido se temporaliza, de modo igualmente originário, junto com a atualidade e o porvir. STMS: ET73
O ente que, em seu ser, é essencialmente porvir, de tal maneira que, livre para a sua morte, nela pode despedaçar-se e deixar-se relançar para a facticidade de seu pre (das Da) é um ente que, sendo porvir, é de modo igualmente originário o vigor de ter sido. STMS: ET74
A retomada é a transmissão explícita, ou seja, o retorno às possibilidades da presença (Dasein), que é o vigor de ter sido presença (Dasein). STMS: ET74
Não é, contudo, a transmissão passível de ser retomada de uma possibilidade em vigor que abre a presença (Dasein), enquanto vigor de ter sido presença (Dasein), numa nova realização. STMS: ET74
A retomada controverte a possibilidade da existência que é vigor de ter sido presença (Dasein). STMS: ET74
Enquanto modo de ser da presença (Dasein), a história está tão essencialmente enraizada no porvir que a morte, enquanto a possibilidade caracterizada da presença (Dasein), relança a existência antecipadora para o seu estar-lançado fático, só então conferindo ao vigor de ter sido o seu primado característico na história. STMS: ET74
A partir dos fenômenos de transmissão e retomada, enraizados no porvir, tornou-se claro por que o acontecer da história em sentido próprio tem seu peso no vigor de ter sido. STMS: ET74
Na retomada, marcada pelo vigor de ter sido de um destino de possibilidades, a presença (Dasein) se recoloca “imediatamente” no ter sido antes dela, ou seja, no que é temporalmente ekstático. STMS: ET75
Como o ser da presença (Dasein) é histórico, ou seja, com base na temporalidade ekstática e horizontal, já está aberto em seu vigor de ter sido, tem caminho livre a tematização do “passado” em geral, que pode cumprir-se na existência. STMS: ET76
Porque, cada vez, a existência sempre está lançada faticamente, a historiografia abrirá tanto mais penetrantemente a força silenciosa do possível quanto mais simples e concretamente ela compreender e “apenas” expuser o vigor de ter sido-no-mundo em sua possibilidade. STMS: ET76
Enquanto vigor de ter sido, a (489) presença (Dasein) é e está entregue à responsabilidade de seu estar-lançado. STMS: ET76
A presença (Dasein) se temporaliza como atualidade na unidade do porvir e do vigor de ter sido. STMS: ET76
Tampouco coincidem o vigor de ter sido, ekstaticamente compreendido, o “outrora” datável da significância e o conceito de passado, no sentido dos puros agora passados. STMS: ET81