Subjekt vem do latim subiectum, literalmente “o que está lançado sob” (p.ex. GA6T2, 430/GA9, 27). Subjekt é ambíguo, significando: 1. o substratum subjacente ou sujeito da predicação, da indagação etc., 2. o sujeito humano. O sentido 1 foi introduzido pelo grego hypokeimenon (“aquilo que permanece sob”), mas os “gregos não sabem absolutamente nada sobre o homem como um sujeito-eu” (GA6T1, 505). Heidegger pergunta como uma palavra que originalmente aplicava-se a tudo passou a ser usada especificamente para o ser humano. Ele conclui que, com a nova liberdade que se seguiu ao declínio da cristandade tradicional, o homem tornou-se o centro em torno do qual tudo o mais revolve, estabelecendo-se, desse modo, como o sujeito, o que subjaz, par excellence (GA6T2, 141ss). O sujeito humano pode mas não precisa ser um eu sem corpo, cuja certeza determina aquilo que há (GA6T2, 431ss/GA9, 28ss). Para Nietzsche, o sujeito tem corpo, sendo governado mais pelo desejo e pela paixão do que pelo pensamento, embora esse ainda seja, para Heidegger, um entendimento cartesiano por ser o árbitro do ser e do valor (GA6T2, 187).
Posteriormente, Heidegger argumenta da seguinte forma; o homem moderno não é apenas o que equivocadamente se considera um/o sujeito. É um sujeito, e nesse sentido ele não é Dasein (GA6T2, 25s; GA65, 90 etc.). Embora herdeira da busca de Descartes por uma “absoluta e inabalável fundação”, (GA6T2, 429ss/GA9, 26ss), esta “subjetividade” ultrapassou os limites cartesianos. O sujeito já não é um eu individualizado. É o homem corporificado, até mesmo o homem coletivo. Já não está limitado por uma barreira; seu domínio de objetos produtíveis e manipuláveis é irrestrito (GA6T2, 25s; GA5, 85s/133). Objetos ainda são representáveis, mas isto não significa que o homem possua uma imagem mental deles, e sim que é o homem quem decide se e o que eles são. Para esse sujeito tudo é objeto e não áreas ou aspectos do mundo inexplorados para além do alcance teórico e prático do homem. A subjetividade, e a “objetivação” (Objetivierung, Vergegenständlichung) por ela envolvida, pode ir tão longe a ponto de os “sujeitos” desaparecerem em nome de uma utilização abrangente (GA6T2, 26), e a humanidade tornar-se um “recurso humano” (Menschenmaterial), para ser administrada e explorada como qualquer outro material (GA6T2, 241s).
(Inwood, MIDH)