Romano – Ipseidade

tradução parcial

Em Ser e Tempo, a introdução do conceito de ipseidade é motivada pelo fato de a ontologia do Dasein (ser-aí, o homem considerado na sua essência) “interdita partir da doação formal do eu para dar uma resposta fenomenicamente satisfatória à questão do quem (Wer)” (§25). A ipseidade é assim definida em contraste com o termo-chave das egologias. De facto, na ontologia fundamental, ipseidade não designa um ente pensante, nem um núcleo de auto-identidade, mas, como Heidegger insiste constantemente, um modo de ser (Weise zu sein) ou um modo de existir (Weise zu existieren) do Dasein (§54). O ponto de partida para a tematização da ipseidade reside na ideia de que há dois modos fundamentais de o Dasein existir e de se relacionar com o seu ser: ou antecipando resolutamente a sua morte e decidindo por si mesmo, à luz desta, a sua existência e quem tem de ser; ou delegando essa decisão aos “outros”, e, na realidade, em todos e em ninguém, isto é, naquilo a que Heidegger chama “o Impessoal” (das Man). No primeiro caso, o Dasein é ele mesmo, assume o ônus do seu ser e existe autenticamente: alcança a ipseidade, o ser em si (Selbstsein), isto é, uma existência “em pessoa”; no segundo caso, cede à decadência e afunda-se na inautenticidade: já não é ele mesmo, mas das Man, o Impessoal.

original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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