Romano (1999:21-23) – existência

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Mas o que significa propriamente “existir” para o Dasein, se a existência já não é o que permite responder à pergunta: an sit? por oposição à pergunta sobre a essência: quid sit? se já não é o quodditas por oposição ao quidditas? O existir é uma maneira de ser de um ente, o Dasein, cuja própria natureza é ser transitivamente o seu ser em o existindo em primeira pessoa. Compreender o ser, para um tal ente, é relacionar-se ao ser como seu, em outras palavras, ser si mesmo em jogo em seu ser. A afirmação de meu (Jemeinigkeit) do ser apenas desenvolve, portanto, a fórmula aparentemente obscura segundo a qual, para este ente, joga em seu ser o ser mesmo. É em compreendendo o ser (em existindo) que este ente compreende também quem ele é. Pois o Dasein “nunca pode ser visado como tal através da pergunta: o que é…? Só encontramos acesso a este ser perguntando: quem é? Não é a quididade, mas, se é permitido usar tal termo, a Werheit, a quissidade, que pertence à constituição do Dasein” (GA24). A pergunta que se dirige ao Dasein e que o obriga a responder sobre o seu ser é a pergunta: “Quem és tu? pois o ser do Dasein é fundamentalmente a Jemeinigkeit. Isto não deve ser entendido num sentido ingenuamente “subjetivista”, como se a afirmação de que “o ser é a cada vez meu (je meines)” tornasse o próprio ser algo “subjetivo”. Pelo contrário, é a “subjetividade” ela mesma — o ser-si-mesmo, Selbstheit — que é uma característica ontológica do Dasein. Como Heidegger salienta em Einführung in die Metaphysik, “o Dasein é ‘cada vez meu’ (je meines): isto não significa nem ‘postado’ por mim, nem ‘isolado num eu singular’. É através da sua relação essencial com o ser em geral que o Dasein é ele mesmo. Este é o significado da frase frequentemente citada de Sein und Zeit: ‘Ao Dasein pertence a compreensão do ser’” (GA40).

original

  1. Heidegger, Die Grundprobleme der Phänomenologie, GA, Bd. 24, p. 169; trad. fr. de J.-F. Courtine, Les problèmes fondamentaux de la phénoménologie, Paris, Gallimard, 1985, p. 151.[↩]
  2. Einführug in die Metaphysik, GA, Bd. 40, p. 31; trad. fr. de G. Kahn, Introduction à la métaphysique, Gallimard, 1967, p. 40.[↩]
  3. Levinas, op. cit., p. 59.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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