(Husserl, “Investigações Lógicas II” 41, I.i.7.11–22, A34–35)
O ouvinte percebe [“nimmt wahr”, literalmente: “toma (como) verdadeiro”] que o falante expressa certas experiências psíquicas [ou interiores], e, nesse sentido, ele também percebe [“nimmt (…) wahr”] essas experiências; mas ele próprio não as vivencia, não possui uma percepção “interna”, mas sim uma percepção “externa” [“Wahrnehmung”]. Esta é a grande diferença entre a apreensão efetiva de um ser em [uma] percepção [visual-vívida] adequada [“Anschauung”] e a suposta apreensão de tal ser com base em uma noção [visual-vívida] [“anschaulich”], mas inadequada. No primeiro caso, trata-se de um ser experienciado [“Sein”], enquanto no segundo, de um suposto ser, ao qual a verdade [“Wahrheit”] não corresponde. O entendimento recíproco exige uma certa correlação dos atos psíquicos [ou interiores] mútuos que se desdobram no transmitir e receber [“Kundgabe und Kundnahme”; este último, mais literalmente: “tomar nota de uma mensagem”], mas de forma alguma sua completa igualdade [literalmente: identidade].