(Das) Leben, “vida”, de leben, “viver”, era um conceito central em Dilthey, Scheler e Nietzsche. Exceto talvez em Nietzsche, vida não era concebida biologicamente, mas metafísica e historicamente. A vida é dinâmica. Este conceito é contrário ao materialismo, ao idealismo, e ao valor e verdade objetivos. É uma reação contra a “representação”, o “eu” e a relação sujeito-objeto (GA65, 326). Abarca tanto nossos estados mentais, conscientes e inconscientes, quanto os atos expressivos e criativos que constituem nossa história. Sob a influência de Dilthey, as preleções iniciais de Heidegger falam de Leben em um sentido próximo ao do posterior “DASEIN” (GA58, 29ss; GA61, 2, 79ss). “Nossa vida é nosso mundo — e raramente a examinamos; embora de maneira bastante irrefletida e indistinta, estamos sempre ‘envolvidos’ (‘dabei sind’): ‘cativados’, ‘repelidos’, ‘satisfeitos’, ‘resignados’. (…) e nossa vida só é vida na medida em que vive em um mundo” (GA58, 33s). Não podemos escapar da vida e observá-la de fora: “A vida fala para si mesma em sua própria linguagem” (GA58, 231; cf. 42, 250). A vida é “auto-suficiente”. A vida também “se expressa” e possui “significação” (GA58, 137). A filosofia emerge da vida: “Toda filosofia genuína nasce da dor da plenitude da vida, não de um problema pseudo-epistemológico ou de uma questão básica de ética” (GA58, 160; cf. 253s). Heidegger discorda de Husserl, que tendia a ignorar a vida: eu deveria me deixar levar pela potência da vida, “acompanhando a vivência (Mitmachen des Erlebens)”, ao invés de retirar-me dela na Epoche; precisamos “compreender” a vida de dentro dela — por meio da história — em lugar de concentrarmo-nos nas experiências intencionais das “coisas” (GA58, 254ss). (Inwood, MIDH)