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A ética é um interesse em, e interrogação de, questões de bem-estar existencial e mal-estar na vida social, como lidamos com, respondemos a, e afetamos a melhoria e o sofrimento uns dos outros. As questões éticas incluem (1) bem-estar (desenvolvimento humano e prosperidade), (2) ajuda e dano, (3) justiça (honestidade e reciprocidade), (4) liberdade, (5) responsabilidade e (6) virtude (disposições e capacidades que moldam o caráter, a postura social e o curso de vida de uma pessoa). Como um empreendimento social, a ética tem um caráter dialógico, como um processo de engajar os interesses, necessidades, perspectivas e ações de cada um. Como um empreendimento normativo, a ética envolve preferências e estimativas de modos de vida melhores e piores, juntamente com a definição de um “dever-se” como medida ou orientação para tais avaliações. Como uma empresa prática, a ética diz respeito a ações e modos de vida; e em face de múltiplas estimativas e a abertura de possibilidades futuras, a ética exige deliberação e decisão.
Em tal cenário, a interrogação ética se desdobra como (1) guia de ação (o que devo fazer?), (2) julgamento de ação (agi bem?), (3) revelação de valor (o que é bom ou vale a pena desejar ?), e (4) modelagem de vida (que tipo de vida eu/nós deveríamos levar?). Nessas questões, a filosofia moral não deve ser limitada pela fixação moderna na “teoria”, no projeto de justificação racional e no privilégio de princípios abstratos sobre situações concretas. A ética deve ser entendida como o engajamento contingente, heurístico e interativo de questões práticas básicas: como os seres humanos devem viver? Como devemos viver juntos? Como devemos tratar uns aos outros? O que devemos um ao outro? Quais são as maneiras melhores e piores de conduzir nossas vidas?
Em contraste com a abordagem excessivamente teórica da filosofia moral moderna – onde o ambiente prático é governado por princípios pré-concebidos e a validade filosófica é medida pela consistência, universalidade, imparcialidade e irrevogabilidade de tais princípios – considero a filosofia moral um discurso engajado, interpretativo, contextual e direcionado com vistas a descerrar os suportes éticos da vida. Deixe-me discutir brevemente os termos nesta caracterização, uma vez que eles ressoarão ao longo do texto que se segue.
Uma vez que já somos informados pela tradição e educação com uma perspectiva ética herdada, a reflexão filosófica começará como um engajamento interpretativo de como já vivemos, em oposição a ver o campo ético como uma tela limpa ou por meio de alguma “visão do lugar nenhum”. A filosofia moral também deve favorecer uma abordagem contextual, em que as questões éticas são mais bem envolvidas em termos de suas circunstâncias específicas e partes específicas, ao invés de generalizações excessivamente formais. Em seu caráter performativo, a filosofia moral deve ser um modo de tratamento, ou seja, uma oferta e troca entre as pessoas em termos de seus reais interesses e perspectivas. Tal encontro é dialógico em vez de monológico, pessoal em vez de impessoal, pois a ética é uma tarefa experimental, compartilhada e viva. Consequentemente, a ética deve ser construída a partir de questões, dúvidas, desacordos, respostas e negociações reais, em oposição a técnicas de análise excessivamente abstratas, hipotéticas ou teóricas. Por fim, sou a favor da noção de rolamentos, uma vez que combina múltiplas conotações que figurarão em minha análise: dá a entender um senso de postura existencial, comportamento e atitude na vida (uma postura nobre); fala de significância e relevância (tendo uma relação com um problema); sugere um criativo trazer à tona de possibilidades (suportar como dar à luz); isso conota um senso de direção (ater-se a seu suporte); e fala de sustentar as dificuldades da vida (suportar uma tempestade). Todos estes significados emergem no curso desta investigação como articulações éticas do que Heidegger entende em um sentido mais amplo por habitar finito.