GA5:258 – O ser tornou-se valor

Borges-Duarte

O ser tornou-se valor. A consolidação (Beständigung) da permanência (Beständigkeit) do fundo consistente (Bestand) é uma condição necessária, posta pela própria vontade de poder, da garantia de si mesma. Mas será que o ser pode ser avaliado de um modo mais elevado do que quando é expressamente elevado a valor? Só que na medida em que o ser é apreciado como um valor, ele já está reduzido a uma condição posta pela própria vontade de poder. Antes disto, o próprio ser, na medida em que em geral é avaliado e apreciado, é privado da dignidade da sua essência. Se o ser do ente é cunhado como valor, e se a sua essência é decidida deste modo, então, dentro desta metafísica, isto é, constantemente dentro da verdade do ente enquanto tal, durante esta era, extinguiu-se cada caminho para a experiência do próprio ser. Pressupomos nisso, com tal discurso, aquilo que talvez não deveríamos de todo pressupor: que alguma vez existiu um tal caminho para o próprio ser, e que um pensar no ser já sempre pensou o ser enquanto ser. (p. 296)

English

Original

[Excerto de HEIDEGGER, Martin. Caminhos de Floresta. Coordenação Científica da Edição e Tradução Irene Borges-Duarte. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, p. 296]


  1. vide ↩

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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