GA41:110-111 – Eu penso, princípio diretor

Morujão

É agora mais fácil expor adequadamente a totalidade da situação da metafísica moderna. Fá-lo-emos do modo seguinte: para esta configuração da metafísica, são essenciais dois momentos: 1) a representação 1 cristã do ente, enquanto ens creatum; 2) o traço matemático fundamental (mathematische Grundzug). Aquele primeiro momento determina o conteúdo da metafísica; o segundo, determina a sua forma. Mas esta caracterização através de conteúdo e forma é demasiado apressada para ser verdadeira. Pois a estrutura determinada pelo cristianismo não constitui apenas o conteúdo daquilo que o pensamento trata; determina igualmente a forma, o como. Na medida em que Deus, como criador, é a causa e o fundamento de todo o ente, o como, o modo de questionar (die Weise des Fragens), é orientado antecipadamente a partir deste princípio. Inversamente, o matemático não é apenas uma forma atribuída a um conteúdo cristão, mas pertence ao conteúdo. Na medida em que o princípio do eu (Ichsatz), o «eu penso», se torna princípio diretor, o eu e, por consequência, o homem, adquire uma posição sem precedentes, no interior deste questionar acerca do ente; não designa apenas um domínio entre outros, mas aquele domínio para o qual todas as proposições metafísicas reenviam e do qual elas saem. O decurso do pensamento metafísico move-se em domínios da subjetividade 2 sempre diversos e delimitados. Por isso, Kant dirá, mais tarde, que todas as questões metafísicas, quer dizer, as questões das disciplinas referidas, se deixam reconduzir à questão «que é o homem?» No predomínio desta questão, oculta-se o predomínio do método, cunhado a partir das Regulae de Descartes. (p. 112)

Barton & Deutsch

  1. Vorstellung[↩]
  2. Subjektivität[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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