GA3:25-26 – intuição finita

À partida, podemos dizer negativamente: o conhecimento finito (endliche Erkenntnis) é intuição não criadora (nichtschöpferische Anschauung). O que ele tem de representar imediatamente na sua singularidade (Einzelheit) tem de ser já previamente subsistente. A intuição finita (endliche Anschauung) vê-se remetida ao intuível enquanto algo que já é por si. Aquilo que é intuído é extraído de um tal ente, e daí que esta intuição se chame também intuitus derivativus, intuição “derivada”, isto é, que se deduz. A intuição finita do ente não consegue dar para si o objeto a partir de si mesma. Ela tem de o deixar dar-se-lhe. Não é toda a intuição enquanto tal, mas apenas a intuição finita que é receptora. O caráter de finitude da intuição reside, por conseguinte, na receptividade (Rezeptivität). A intuição finita, porém, não pode receber sem que aquilo que está para ser recebido se anuncie. A intuição finita, segundo a sua essência, tem de ser tocada, afetada por aquilo que nela é intuível. (GA3PT:42-43)

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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