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estudos:sheehan:coisas-estao-presentes-e-disponiveis-de-modo-significativo

AS COISAS ESTÃO PRESENTES E DISPONÍVEIS DE MODO SIGNIFICATIVO (2015, 111-112)

SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015

  • A vida cotidiana revela como mais surpreendente não a mera existência independente das coisas no mundo, mas o fato de que elas impactam, tocam, invadem, preocupam e se tornam significativas, pois no curso normal da existência não se apresentam como objetos indiferentes situados em coordenadas neutras de espaço e tempo, mas como presenças que fazem sentido, sendo esse sentido o seu ser.
    • A presença significativa substitui a noção de objeto neutro.
    • O impacto e a preocupação indicam envolvimento existencial.
    • O sentido constitui o próprio ser das coisas.
  • As coisas mostram-se presentes e disponíveis dentro de um mundo de significado no qual há envolvimento constante, seja ao notá-las, nomeá-las, admirá-las, possuí-las, temê-las ou evitá-las, pois em qualquer desses modos permanecem inseridas no horizonte significativo em que se vive, de tal modo que tudo o que pode ser visto, pensado ou feito é compreensível em algum grau, seja agora, tenha sido antes ou venha a sê-lo quando compreendido.
    • A disponibilidade integra diferentes modos de relação.
    • Mesmo o temor ou a fuga mantêm a inserção no mundo de sentido.
    • A compreensibilidade abrange o atual, o passado e o possível.
  • A significância constitui a dimensão quase imperceptível que possibilita o encontro com tudo o que aparece, razão pela qual aquilo que é encontrado é, em certo sentido, próprio, familiar e integrante da narrativa significativa que estrutura a vida.
    • A significância opera como meio de acesso ao que aparece.
    • O encontrado é integrado à esfera do familiar.
    • A vida configura-se como narrativa de sentido compartilhado.
  • Mesmo quando algo não é imediatamente familiar e só pode receber o sentido de não ser ainda compreendido, ainda assim é tratado como fenômeno potencialmente inteligível por meio de uma atribuição interrogativa de sentido, como nos casos da “família lepton” ou de “opisthokont”, que já são introduzidos, ainda que provisoriamente, no mundo de significados.
    • A incompreensão inicial não exclui a inteligibilidade possível.
    • A interrogação já pressupõe inserção no horizonte de sentido.
    • Termos técnicos passam a integrar o mundo significativo mesmo de modo tentativo.
  • Desde o surgimento do Homo sapiens há cerca de 200.000 anos, ser equivale a ser significativo, pois a significância é inevitável e constitui o meio mediador exclusivo pelo qual há contato com as coisas, de tal modo que sem ela não haveria humanidade, sendo o verdadeiro milagre não a simples existência espaço-temporal dos entes, mas o fato de fazerem sentido.
    • Ser e significatividade tornam-se inseparáveis.
    • A mediação da significância é condição da humanidade.
    • O milagre reside na inteligibilidade e não na mera existência.
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