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estudos:marion:mundo-vaidade

O Mundo segundo a Vaidade

JLMPE

  • O mundo fenomenaliza-se doando-se ao sujeito e fazendo dele seu adonné [dado]
    • Reivindicar lugar ao sol erótico — como amado ou odiado — constitui primeiro dever, não injustiça ou tirania
  • Objeção ao enfraquecimento do ego pela substituição do ego cogitans pelo ego como amado ou odiado
    • Duplo enfraquecimento do ego pela redução erótica
      • Primeira razão: dependência de alteridade não controlável
        • Ego cogitans produz certeza por si mesmo em autonomia perfeita
        • Redução erótica coloca apenas a questão “amam-me?” sem resposta garantida
        • Interrogação expõe a incerteza radical de resposta sempre problemática, talvez impossível
        • Luto da autonomia torna-se necessário
      • Segunda razão: incerteza definitiva mesmo com confirmação erótica eventual
        • Asseguramento proveniente de alhures não confirma certeza de si, mas compensa sua falência
        • Alteridade mais originária que o próprio ego fere-o antes de qualquer compensação
        • Caráter determinante — amado ou odiado — não pertence mais ao ego em propriedade
        • Ego não se atribui mais a si mesmo, mas se extasia em direção a instância indecidida que decide tudo
    • Dupla heteronomia: de direito, depois de fato
  • Admissão do resultado destituinte como aquisição obscura
    • Redução erótica destitui ego de toda autoprodução na certeza e na existência definitivamente
    • Resposta eventual à questão “amam-me?” inscreve-se sempre nessa dependência como horizonte último
    • Autonomia da certeza pela cogitatio jamais se restabelece, nem como esboço desejado ou ideal da razão
    • Destituição não equivale a perda seca, mas a aquisição ainda obscura
      • Sob redução erótica, receber-se com certeza apenas como amado ou odiado
      • Entrada em terreno absolutamente novo como amado em potência (amável)
      • Não se trata de ser enquanto amado, nem fazer-se amar ou odiar para ser ou não ser
      • Aparecer a si mesmo diretamente, além de todo estatuto de ente eventual, como amado potencial e amável
  • “Amado” não funciona mais como adjetivo qualificando ente por seu modo de ser
    • Em regime de redução erótica confrontando a vaidade, não se pode assumir sem precaução “ser ou não ser, eis a questão”
    • Questão “amam-me de alhures?” substitui definitivamente à questão do ser
      • Não visa mais o ser, não se preocupa mais com a existência
      • Introduz em horizonte onde estatuto de amado ou odiado — amável — remete apenas a si mesmo
    • Perguntando se me amam de alhures, não se trata mais de inquirir primeiramente sobre asseguramento
      • Entrada no reino do amor
      • Recepção imediata do papel daquele que pode amar, que se pode amar, que crê que se deve amá-lo — o amante
  • Oposição amante versus cogitans
    • Amante destitui busca de certeza pela busca de asseguramento
    • Amante substitui questão “sou?” (e variante “sou amado?”) pela interrogação reduzida “amam-me?”
    • Amante não é enquanto pensa, mas — supondo que deva ainda ser — é apenas enquanto o amam
    • Diferença fundamental: cogitans cogita para ser, exerce pensamento como meio de certificar seu ser
      • Amante não ama tanto para ser quanto para resistir ao que anula o ser — vaidade que pergunta “para quê?”
      • Amante ambiciona ultrapassar o ser para não sucumbir com ele ao que o destitui
    • Do ponto de vista do amante, do ponto de vista da redução erótica: ser e seus entes aparecem contaminados, intocáveis, irradiados pelo sol negro da vaidade
      • Trata-se de amar porque em regime de redução erótica nada não-amado ou não-amante se sustenta
  • Passagem do cogitans ao amante não modifica figura do ego para atingir mesmo objetivo por outros meios
    • Redução erótica destitui questão “ser ou não ser?”
    • Depõe questão do ser de sua carga imperial expondo-a à questão “para quê?”
    • Considera-a seriamente do ponto de vista da vaidade
    • Em redução erótica, onde está em jogo o amante, questão “o que é o ente (em seu ser)?” perde privilégio de questão mais antiga, sempre buscada, sempre perdida
  • Aporia da questão do ser não deriva de jamais tê-la atingido
    • Deriva de obstinar-se ainda e sempre em colocá-la em primeira posição
    • Questão do ser permanece — no melhor dos casos — derivada ou condicional
    • Nem primeira nem última, pertence apenas a filosofia segunda
      • Desde que outra questão — “para quê?” — a aflige
      • Desde que filosofia mais radical pergunta “amam-me de alhures?”
  • Inversão da atitude natural — naturalmente ontológica, naturalmente metafísica
    • Inversão cumpre-se apenas por redução de novo estilo: redução erótica
  • Questão: como se cumpre a redução erótica?
    • Como difere de outras reduções ou da atitude natural?
    • Como coloca em cena as coisas do mundo?
  • Retorno ao amante — aquele que se pergunta “amam-me?”
    • Segundo atitude natural: consideraria simplesmente todos os entes e o ente em geral
    • Em regime de redução erótica: constata que nenhum ente, nenhum alter ego nem ele mesmo pode fornecer menor asseguramento diante da questão “amam-me?”
      • Ente qualquer assegura tanto menos o amante quanto ele mesmo se expõe inteiramente à vaidade
      • Nenhum alter ego pode assegurar, pois seria necessário primeiro distingui-lo de ente do mundo — impossível neste momento da investigação
      • Ego não pode, por si mesmo, fornecer menor asseguramento diante da interrogação “amam-me de alhures?”
    • Por princípio, vaidade estende-se universalmente
      • Cumpre efetivamente a redução erótica sobre todas regiões do mundo e suas fronteiras
  • Necessidade de descrever brevemente vaidade e redução erótica seguindo três momentos privilegiados
    • Espaço
    • Tempo
    • Identidade do si
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