estudos:marion:mundo-vaidade
O Mundo segundo a Vaidade
JLMPE
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O mundo fenomenaliza-se doando-se ao sujeito e fazendo dele seu adonné [dado]
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Reivindicar lugar ao sol erótico — como amado ou odiado — constitui primeiro dever, não injustiça ou tirania
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Objeção ao enfraquecimento do ego pela substituição do ego cogitans pelo ego como amado ou odiado
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Duplo enfraquecimento do ego pela redução erótica
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Primeira razão: dependência de alteridade não controlável
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Ego cogitans produz certeza por si mesmo em autonomia perfeita
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Redução erótica coloca apenas a questão “amam-me?” sem resposta garantida
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Interrogação expõe a incerteza radical de resposta sempre problemática, talvez impossível
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Luto da autonomia torna-se necessário
Segunda razão: incerteza definitiva mesmo com confirmação erótica eventual-
Asseguramento proveniente de alhures não confirma certeza de si, mas compensa sua falência
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Alteridade mais originária que o próprio ego fere-o antes de qualquer compensação
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Caráter determinante — amado ou odiado — não pertence mais ao ego em propriedade
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Ego não se atribui mais a si mesmo, mas se extasia em direção a instância indecidida que decide tudo
Dupla heteronomia: de direito, depois de fato-
Admissão do resultado destituinte como aquisição obscura
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Redução erótica destitui ego de toda autoprodução na certeza e na existência definitivamente
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Resposta eventual à questão “amam-me?” inscreve-se sempre nessa dependência como horizonte último
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Autonomia da certeza pela cogitatio jamais se restabelece, nem como esboço desejado ou ideal da razão
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Destituição não equivale a perda seca, mas a aquisição ainda obscura
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Sob redução erótica, receber-se com certeza apenas como amado ou odiado
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Entrada em terreno absolutamente novo como amado em potência (amável)
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Não se trata de ser enquanto amado, nem fazer-se amar ou odiar para ser ou não ser
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Aparecer a si mesmo diretamente, além de todo estatuto de ente eventual, como amado potencial e amável
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“Amado” não funciona mais como adjetivo qualificando ente por seu modo de ser
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Em regime de redução erótica confrontando a vaidade, não se pode assumir sem precaução “ser ou não ser, eis a questão”
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Questão “amam-me de alhures?” substitui definitivamente à questão do ser
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Não visa mais o ser, não se preocupa mais com a existência
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Introduz em horizonte onde estatuto de amado ou odiado — amável — remete apenas a si mesmo
Perguntando se me amam de alhures, não se trata mais de inquirir primeiramente sobre asseguramento-
Entrada no reino do amor
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Recepção imediata do papel daquele que pode amar, que se pode amar, que crê que se deve amá-lo — o amante
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Oposição amante versus cogitans
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Amante destitui busca de certeza pela busca de asseguramento
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Amante substitui questão “sou?” (e variante “sou amado?”) pela interrogação reduzida “amam-me?”
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Amante não é enquanto pensa, mas — supondo que deva ainda ser — é apenas enquanto o amam
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Diferença fundamental: cogitans cogita para ser, exerce pensamento como meio de certificar seu ser
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Amante não ama tanto para ser quanto para resistir ao que anula o ser — vaidade que pergunta “para quê?”
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Amante ambiciona ultrapassar o ser para não sucumbir com ele ao que o destitui
Do ponto de vista do amante, do ponto de vista da redução erótica: ser e seus entes aparecem contaminados, intocáveis, irradiados pelo sol negro da vaidade-
Trata-se de amar porque em regime de redução erótica nada não-amado ou não-amante se sustenta
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Passagem do cogitans ao amante não modifica figura do ego para atingir mesmo objetivo por outros meios
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Redução erótica destitui questão “ser ou não ser?”
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Depõe questão do ser de sua carga imperial expondo-a à questão “para quê?”
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Considera-a seriamente do ponto de vista da vaidade
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Em redução erótica, onde está em jogo o amante, questão “o que é o ente (em seu ser)?” perde privilégio de questão mais antiga, sempre buscada, sempre perdida
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Aporia da questão do ser não deriva de jamais tê-la atingido
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Deriva de obstinar-se ainda e sempre em colocá-la em primeira posição
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Questão do ser permanece — no melhor dos casos — derivada ou condicional
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Nem primeira nem última, pertence apenas a filosofia segunda
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Desde que outra questão — “para quê?” — a aflige
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Desde que filosofia mais radical pergunta “amam-me de alhures?”
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Inversão da atitude natural — naturalmente ontológica, naturalmente metafísica
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Inversão cumpre-se apenas por redução de novo estilo: redução erótica
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Questão: como se cumpre a redução erótica?
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Como difere de outras reduções ou da atitude natural?
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Como coloca em cena as coisas do mundo?
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Retorno ao amante — aquele que se pergunta “amam-me?”
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Segundo atitude natural: consideraria simplesmente todos os entes e o ente em geral
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Em regime de redução erótica: constata que nenhum ente, nenhum alter ego nem ele mesmo pode fornecer menor asseguramento diante da questão “amam-me?”
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Ente qualquer assegura tanto menos o amante quanto ele mesmo se expõe inteiramente à vaidade
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Nenhum alter ego pode assegurar, pois seria necessário primeiro distingui-lo de ente do mundo — impossível neste momento da investigação
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Ego não pode, por si mesmo, fornecer menor asseguramento diante da interrogação “amam-me de alhures?”
Por princípio, vaidade estende-se universalmente-
Cumpre efetivamente a redução erótica sobre todas regiões do mundo e suas fronteiras
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Necessidade de descrever brevemente vaidade e redução erótica seguindo três momentos privilegiados
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Espaço
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Tempo
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Identidade do si
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