estudos:sheehan:surgimento-em-disponibilidade-significativa-2015
SURGIMENTO EM DISPONIBILIDADE SIGNIFICATIVA (2015:65-66)
SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015
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A releitura heideggeriana de Aristóteles parte da percepção fenomenológica de que a realidade das coisas implica sua abertura e disponibilidade em relação ao homem, interpretando οὐσία como posse estável e descobrindo por trás dela uma dimensão cinética de surgimento (ϕύσις) a partir da ocultação para uma presença estável (ἀεί) como εἶδος em conjunção com a inteligência humana (τὸ ὄν λεγόμενον), entendendo esse surgimento não como evento natural pré-humano, mas como der Welteingang des Seienden, a entrada das coisas no mundo enquanto mundo do significado.
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Realidade como disponibilidade significativa.
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Surgimento-em-presença como emergência a partir da ocultação.
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Mundo como mundo do significado.
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Coisa assumindo limites (πέρας) e aparecendo como εἶδος inteligível.
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Leitura de Aristóteles como protofenomenologista.
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A tematização platônica de εἶδος como o quê conhecível de uma coisa comporta o risco de privilegiar a identidade estável e a presença permanente em detrimento da emergência e de relegar o particular a μὴ ὄν ou εἴδωλον, ao passo que Aristóteles valoriza a realidade cinética como progresso em direção à realização, concebe o movimento como conclusão incompleta, admite graus de realidade na analogia do ser e estabelece o particular concreto (τόδε τι) como principal portador da realidade.
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Duplo risco na concepção platônica.
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Realidade como participação em realização.
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Movimento como ἐνέργεια ἀτελής.
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Analogia do ser com graus de realidade.
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Particular concreto como portador primário do real.
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A tematização aristotélica do ser-real como disponibilidade para a inteligência humana (νοῦς enquanto λόγoς), abrangendo práticas e teorias, permitiu a Heidegger perguntar como essa dação é ela mesma dada, conduzindo-o ao retorno aos pré-socráticos, ao insight de Parmênides sobre o “coração trêmulo de ἀλήϑεια” e à noção heraclítica de ϕύσις como ocultação permanente, culminando na identificação da abertura lançada (Geworfenheit) e da apropriação (Ereignetsein) como espaço da inteligibilidade, questão jamais formulada por Aristóteles, Parmênides, Husserl ou pela metafísica.
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Ser-real como disponibilidade ao νοῦς.
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Pergunta sobre a origem da dação.
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ἀλήϑεια e ocultação como dimensão originária.
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Abertura lançada como condição a priori.
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Apropriação da existência como espaço da inteligibilidade.
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