A intuição intelectual não designa, em
Fichte, um entendimento “arquetípico” que produziria seus próprios objetos, mas uma forma de intuição pertencente à atividade de síntese que atesta e justifica o transcendental – trata-se de um fazer (= atividade sintética) que é simultaneamente um ver. No segundo caso temos uma intuição pura, não no sentido kantiano (onde a intuição se refere sempre a um objeto singular situado no espaço empírico), mas de tal modo que há uma intuição possível do universal, isto é, de um a priori tanto universal quanto “material”, ao qual
Husserl atribuiu um conteúdo “eidético”.
Fichte conferiu à intuição uma forma de mobilidade;
Husserl reconheceu a capacidade da intuição de se referir a um conteúdo universal.
Fink atribuiu a essa intuição não sensível outra propriedade: a de sobrevolar o próprio método regressivo-construtivo da fenomenologia – nas anotações dos anos 1930 ele chega a identificar “fenomenologia” e “intuição construtiva”. Mas, como esse conceito permanece programático e relativamente indeterminado em
Fink, é necessário desenvolvê-lo com maior precisão.