estudos:marion:revelacao-prefacio
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| + | ====== PREFÁCIO: A DIFICULDADE E O PRAZER DA TEOLOGIA ====== | ||
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| + | Marion2020 | ||
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| + | * Há já quase quarenta anos, ousava pretender "que a teologia, de todas as escrituras, causa sem dúvida o maior prazer" | ||
| + | * Mantém-se isto, com uma reserva: nada também tão difícil, até mesmo doloroso quanto a teologia | ||
| + | * Onde é necessário avançar-se direto em alto mar, sem fundo e sem fim — //duc in altum// (Lucas 5,4) | ||
| + | * Barth, ainda em seus inícios, já colocava em guarda quem quer que se arrisque aí | ||
| + | * "Toda obra de homem é um esboço, um trabalho prévio, e um livro de teologia mais que qualquer outra obra" | ||
| + | * Todos os livros produzidos, foram cumpridos como um ciclista sobe as passagens de uma etapa de montanha | ||
| + | * Com treinamento e método, força e resistência, | ||
| + | * Mas nenhum custou tanto, nem reteve por tanto tempo, justamente porque a ascensão jamais tinha sido tão rude nem tão bela | ||
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| + | * De fato, antes de entregar hoje esta versão em francês, final espera-se | ||
| + | * Foi necessário, | ||
| + | * Primeiramente, | ||
| + | * Começou uma primeira série de estudos que resultou, em 2016, em uma primeira publicação, | ||
| + | * Depois o convite da universidade de Regensburg para ocupar a //Papst Benedikt XVI-Gastprofessur//, | ||
| + | * Conduziu a retomar toda a empresa em uma versão publicada no mesmo ano sob o título //Das Erscheinen des Unsichtbaren. Fragen zur Phänomenalität der Offenbarung// | ||
| + | * De fato, desde //Le Visible et le révélé//, | ||
| + | * Tinha começado a afrontar a questão da Revelação | ||
| + | * Ou antes da fenomenalidade da revelação em geral, portanto também da Revelação bíblica em particular | ||
| + | * A menos que seja o inverso: a Revelação como tal abrindo o caso do fenômeno de revelação na fenomenalidade comum | ||
| + | * Desde um seminário da " | ||
| + | * Depois ao longo de todo o ensino na //Divinity School// da universidade de Chicago (em particular os seminários de 2013-2019) | ||
| + | * E enfim durante um trimestre, convidado pela Faculdade autônoma de teologia da Universidade de Genebra (2018) | ||
| + | * Afundava-se nesta odisseia de longo curso | ||
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| + | * Enquanto não se aventura no domínio teológico, nada mais fácil que denunciar as insuficiências dos teólogos | ||
| + | * Cedeu-se frequentemente demais a este rito pueril | ||
| + | * Mas desde que se faz um primeiro passo aí | ||
| + | * Desde que se cessa de girar em torno da teologia como de uma reserva de primitivos, estranha e aberta, sem defesa | ||
| + | * Como fazem todos os ateus benevolentes que vêm, sem fé nem lei, divertir-se aí para pilhar alguns tesouros dos quais extraem sua pequena moeda | ||
| + | * Desde que se vai aí seriamente, isto é, considerando que seja necessário entender aí uma questão e responder a ela em pessoa | ||
| + | * Então somente se mede a bela dificuldade | ||
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| + | * Dificuldade do conhecimento primeiramente | ||
| + | * Enquanto em filosofia, basta (salvo se se erige a ignorância em princípio metodológico, | ||
| + | * Aqui é necessário entrar no texto bíblico em todas as suas línguas | ||
| + | * E para fazê-lo, explorar ao menos um pouco o " | ||
| + | * Portanto seguir a história dos dogmas, os autores da Idade Média (alta e baixa) | ||
| + | * A virada metafísica da teologia moderna (o mais fácil para um historiador da filosofia) | ||
| + | * E enfim a teia de aranha da teologia dos dois últimos séculos, sutil, armadilhada e armadilhadora, | ||
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| + | * Mas a verdadeira dificuldade se encontra alhures, literalmente no alhures | ||
| + | * Um romancista ou um poeta sabe do que fala e pode esperar que seu leitor o saiba também | ||
| + | * Mesmo se deve ele mesmo expô-lo em suas próprias palavras | ||
| + | * Um filósofo, se fala verdadeiramente de algo e não apenas de um outro texto (o que não é tão corrente) | ||
| + | * Pode fazer apelo a uma verificação experimental de sua tese | ||
| + | * Certamente, deve reconstruir esta experiência para torná-la acessível a um leitor competente | ||
| + | * Mas a experiência pode, de direito, tornar-se o campo de uma discussão comum, até mesmo de uma convicção partilhada | ||
| + | * O teólogo não tem este recurso | ||
| + | * Não que não possa invocar uma verificação experimental do que avança | ||
| + | * Ao contrário, sabe perfeitamente onde encontrá-la: | ||
| + | * Em suma na vida da Igreja no sentido o mais largo | ||
| + | * Mas não pode entretanto saber se ele mesmo acede corretamente e plenamente a esta experiência | ||
| + | * Nem se seus leitores o podem melhor que ele | ||
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| + | * Escrever uma linha de teologia autêntica expõe a uma formidável interrogação, | ||
| + | * Não sobre aquilo do que se fala, mas sobre aquele que disso fala | ||
| + | * Um bom teólogo não duvida da existência de Deus (o que de fato não tem nenhum sentido) | ||
| + | * Mas de sua própria existência (ela, mais que incerta) | ||
| + | * Não duvida do mistério que visa, mas da elevação de sua visada, de sua própria altura de vista | ||
| + | * Sabe o que visa, nem que seja porque é atraído aí e segue a inclinação montante e descendente | ||
| + | * Mas sabe também que visa ainda demasiado baixo, de um elã demasiado curto | ||
| + | * E, como dizem os ciclistas, que vai " | ||
| + | * E se o dogma permanece uma formulação submetida à retificação escatológica, | ||
| + | * Não há teologia sem desenvolvimento, | ||
| + | * O teólogo não submerge na má filosofia (aquela que se ignora), nem na ideologia (que quer ignorar tudo fora dela) | ||
| + | * À única condição de persuadir-se disso | ||
| + | * O teólogo sabe que não pode ainda dizer bem o que vê, nem ver bem o que visa | ||
| + | * Mas que deve ao menos visá-lo tanto quanto pode | ||
| + | * Sua santidade mede sua justeza | ||
| + | * Mas sabe que esta situação não somente não tem nada de anormal, mas que ela somente o preserva | ||
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| + | * A própria visada resume-se aqui muito simplesmente em algumas questões | ||
| + | * (I) Por que os primeiros séculos da (melhor) teologia cristã (e aliás judaica) não utilizam nada que caia sob o conceito moderno de " | ||
| + | * (II) Por que este conceito moderno foi (essencialmente) construído apenas polemicamente por metafísicos e por contraste com o que entendiam pela " | ||
| + | * (III) Por que não se privilegiou ao contrário um conceito de Revelação que partiria da fenomenalidade do que se des-vela ou antes se des-cobre, do que se revela entre os fenômenos? | ||
| + | * (IV) Não se poderia que o princípio dos Sinópticos, | ||
| + | * Pode-se localizá-lo e constituí-lo em todas as Escrituras e em toda a tradição? | ||
| + | * (V) Este des-cobrimento resume-se à acepção comum do " | ||
| + | * (VI) Empurrou-se a tentativa tão longe quanto se podia, conhecem-se portanto os limites | ||
| + | * São aqueles que indicava perfeitamente Nicolau de Cusa: " | ||
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| + | * Resta dizer a gratidão às instituições que permitiram conduzir este trabalho | ||
| + | * A Universidade de Chicago, o Instituto católico de Paris, a universidade de Glasgow, e a universidade de Regensburg, a universidade de Genebra | ||
| + | * Aos estudantes e ouvintes que sustentaram com sua paciência e suas questões | ||
| + | * E os companheiros de sempre, que se reconhecerão ao fio das páginas | ||
| + | * Para os erros e as insuficiências, | ||
| + | * O resto, que não me pertence, seguirá | ||
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