Beaufret (1973:50-52) – ser-aí x ser-o-aí

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O que nunca deixou de surpreender os gregos, pelo menos até Aristóteles, não foi o fato de ser/estar aí, mas o fato de ser/estar o aí, a própria presença de todas as coisas, de tal modo que os deuses, diz um fragmento de Hesíodo, “os encaravam em todo o seu brilho”. Ler a filosofia grega de qualquer outra forma é fecharmo-nos antecipadamente ao que ela nos dá a entender. Um idiota como Hípias não podia ouvir uma palavra do que Platão dizia. “Entre: o que é belo (τί έστι καλόν;), e: o que é o belo (τί έστι τὸ καλόν;) não vês nenhuma diferença?”, perguntou Sócrates. “Nem a menor”, respondeu Hípias. Heidegger pergunta-nos hoje: “Entre ser/estar-aí e ser-o-aí, não sentes diferença?” Ούδέν γὰρ διαφέρει (Hípias maior, 288 d), continua a responder o eterno Hípias.

original

  1. ή ψυχή τὰ ὄντα πὡς ἐστι πάντα (De Anima, III, 8, 431 b 21).[↩]
  2. Hippias majeur, 288 d.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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