Barbaras (1998:194-195) – o fenômeno da expressão

(Barbaras1998)

destaque

A expressão não conduz à dissolução da Natureza na transparência do Espírito, mas escava novas dimensões no mundo, fazendo recuar um pouco mais a sua opacidade e profundidade constitutivas: porque nasce de uma palavra, o sentido está ainda envolvido por aquilo que pretende envolver. Não podemos, portanto, subordinar a expressão a uma consciência que, nela, visa os significados: isso seria confundir o esforço expressivo com o seu resultado. Longe de a consciência preexistir à expressão, ela nasce nela, junta-se a ela deixando-se despojar pelo discurso e, por conseguinte, nunca se junta a si mesma: “não há diferença para a consciência entre o ato de se alcançar e o ato de se exprimir”. Longe de a expressão ser obra da consciência, esta aparece antes como o horizonte de uma expressão inicialmente anônima e, em última análise, mais obra do mundo do que da mente: ao deixar-se capturar por um fragmento de si mesmo, o mundo ganha acesso a um novo modo de manifestação. Como diz Merleau-Ponty, “não somos nós que falamos, é a verdade que é dita nas profundezas da fala”.

original

[BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991]

  1. La prose du monde, p.26.[↩]
  2. Visible et lnvisible, p.239.[↩]
  3. V.l., p.223-224.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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