Fink (1966b:232-234) – uma metáfora cósmica para compreensão do mundo?

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Como é que o mundo pode se mostrar numa coisa? É claro que temos de nos ater à impossibilidade de comparar o mundo e a coisa e, sobretudo, temos de evitar pensar no mundo como algo gigantesco e de enorme poder, algo que seria como a montanha em relação às suas rochas ou o mar em relação às gotas de água. A rocha inclui também a natureza rochosa de toda a montanha; a gota, a natureza aquática de todo o mar. A coisa finita não é uma partícula do mundo que está na mesma relação com o todo do mundo que a parte de uma coisa está com o todo da coisa. A coisa intramundana não é um mundo reduzido como a pedra é uma montanha reduzida e a gota um mar reduzido. Nunca se tratará aqui de uma correspondência mensurável entre o pequeno e o grande ou vice-versa. A relação entre o mundo e a coisa não pode ser reduzida a um aspecto quantitativo, mas a quantidade em geral pode ser reduzida à espacialidade e à temporalidade do mundo. O mundo e a coisa são incomparáveis, sobretudo enquanto as relações de igualdade e de correspondência entre os seres determinarem a perspectiva do pensamento.(…)

(…) O todo do mundo, como o todo que está fora de todas as coisas finitas, não pode entrar numa coisa intramundana e existir numa escala reduzida. Mas o todo atuante pode “refletir-se” num ente intramundano, traçando caracteres e fazendo sobressair aspectos que caracterizam o movimento do todo. O mundo reflete-se no homem, no ser caracterizado pela sua abertura global ao mundo. E o reflexo do mundo na terra do homem manifesta-se de diferentes formas nos vários fenômenos fundamentais da nossa existência finita. Manifesta-se no trabalho e na luta de uma forma diferente do amor e do culto dos mortos, e ainda de outra forma no jogo. Que características do mundo determinam o caráter de jogo do jogo humano?

Hildenbrand & Lindeberg

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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