Taminiaux (1995b:192-195) – Édipo-Rei (I)

destaque

(…) Em Heidegger, como foi o caso em Hegel, o enfoque deliberadamente metafísico da leitura (das tragédias gregas) leva à seleção de certos heróis e à elevação destes à categoria de efígies ontológicas: em Heidegger, o Prometeu de Ésquilo, testemunha da luta contra o superpoder do ser e o Édipo de Sófocles, encarnação da paixão da aletheia; em Hegel, Antígona e Creonte, testemunhas da contradição entre o objetivo especulativo da Sittlichkeit grega (identidade da consciência e do seu mundo) e o enraizamento natural desta vida ética. Em ambos os pensadores, os heróis, para serem elevados à categoria de efígies ontológicas, têm primeiro de ser purificados de qualquer húbris: o Édipo de Heidegger é um modelo para o Dasein; o Creonte e a Antígona de Hegel agem como devem, não havendo neles qualquer excesso porque não têm escolha. Finalmente, em ambos os casos, o coro é marginalizado ou a resistência às ações dos heróis é obliterada. Em outras palavras, a obliteração (195) de uma theoria completamente diferente, uma theoria que não é metafísica mas dedicada à procura de medida justa em questões de praxis, uma theoria que rejeita a arrogância e que, tateando, pesa e julga os assuntos humanos.

original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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