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VILÉM FLUSSER (1920-1991)

  • Índice 1. A imagem 2. A imagem técnica 3. O aparelho 4. O gesto de fotografar 5. A fotografia 6. A distribuição da fotografia 7. A recepção da fotografia 8. O universo fotográfico 9. A urgência de uma filosofia da fotografia O presente ensaio é resumo de algumas conferências e aulas que pronunciei sobretudo na…

  • Ensaio publicado na revista IRIS em agosto de 1982 Curiosa profissão, esta. A maioria das profissões exige engajamento em determinado assunto. Sapateiro engaja-se em sapatos, construtor civil em casas, cientista em física, ministro no governo. Quanto ao fotógrafo, este se engaja na máquina fotográfica. que não é assunto, mas instrumento. E como se o sapateiro…

  • Convido o leitor a considerar comigo o conceito que cerca a realidade, o conceito do qual a realidade é o núcleo realizado, o conceito português do poder. A potencialidade é realidade in statu nascendi, ou, para falarmos tecnicamente, a potencialidade acrescida da necessidade resulta em realidade. O verbo poder significa, portanto, quase exatamente aquilo que…

  • Como se sabe, na análise heideggeriana (e não apenas nela) aparece a questão da angústia e da preocupação intimamente ligada à questão do tempo. Simplificando muito, o complexo todo pode ser assim resumido: há uma maneira de ser da existência, na qual esta se rende ao mundo e se aliena progressivamente de si mesma, e…

  • A camada da conversação abrange processos que variam da conversação entre comprador e vendedor no mercado até a conversação progressiva que é chamada ciência. A camada da conversa abrange processos que variam do bate-papo entre duas vizinhas até aquela enorme conversa fiada que nos inunda na forma da propaganda comercial e política e das produções…

  • A tradução da palavra sein para o português revela radicalmente essa dependência linguística da ontologia. A língua portuguesa analisa as diversas modalidades do sein sem existencialismo, sem fenomenología e sem a análise categorial de Hartmann. Heidegger, Jaspers, Sartre e Camus teriam talvez analisado o problema do ser de urna forma radicalmente diferente, se tivessem apreendido…

  • A filosofia existencial, filha do tédio e neta do espanto, procura descobrir, pela reflexão, a diferença ontológica entre o mundo das coisas e o mundo dos instrumentos. Heidegger diz que as coisas são nossa condição, e os instrumentos nossas testemunhas. Trata-se de um pensamento informado pela língua alemã e dificilmente pensável em português. “Coisas” em…

  • Ensaio publicado na revista IRIS em março de 1983, com o título de O futuro e a cultura da imagem. Nos dias 2 a 5 de dezembro reuniram-se, nessa cidade dos albigenses e de Toulouse-Lautrec, engenheiros, artistas, economistas, sociólogos e pensadores, para discutirem o “futuro da cultura”. Por mais divergentes que tenham sido os pontos…

  • A dúvida é um estado de espírito polivalente. Pode significar o fim de uma fé, ou pode significar o começo de uma outra. Pode ainda, se levada ao extremo, institucionalizar-se como “ceticismo”, isto é, como uma espécie de fé invertida. Em dose moderada estimula o pensamento. Em dose excessiva paralisa toda a atividade mental. A…

  • Imagens são superfícies que pretendem representar algo. Na maioria dos casos, algo que se encontra lá fora no espaço e no tempo. As imagens são, portanto, resultado do esforço de se abstrair duas das quatro dimensões espacio-temporais, para que se conservem apenas as dimensões do plano. Devem sua origem à capacidade de abstração específica que…

  • Ao descrever a passagem do barroco para o romantismo, aventurei a seguinte hipótese ousada: a mudança da estrutura do pensamento e da vida que marca essa passagem é articulada pela tradução do verbo auxiliar francês “être” pelo verbo auxiliar alemão “werden”. O historicismo, antropologismo, e biologismo do romantismo é uma elaboração da estrutura de um…

  • Vista superficialmente, a conversa parece idêntica à conversação. Também ela consiste de redes, aparentemente formadas por frases e intelectos. Entretanto, sob análise, verificaremos que a conversa é composta de detritos da conversação que penetram (182) imperceptivelmente, tal qual o detrito do plâncton no mar, em camadas inferiores. A expressão portuguesa conversa fiada exprime excelentemente essa…

  • Tomemos como exemplo a frase: “O homem lava o carro”. Nessa frase “o homem” é sujeito, “o carro” é objeto e “lava” é predicado. O sujeito “o homem” irradia o predicado “lava” em direção ao objeto “o carro”. A frase tem, portanto, a forma (Gestalt) de um tiro ao alvo. O sujeito (“o homem”) é…

  • A medicina é o maior escândalo da atualidade. Mas é também um dos pontos de partida para a reformulação da ciência atualmente em crise. A medicina é híbrida na qual os elementos científicos, técnicos e intuitivos são mal aglomerados. A razão disto é que o doente é simultaneamente sujeito (agente) e objeto (paciente), e que,…

  • A dúvida da dúvida é um estado de espírito fugaz. Embora possa ser experimentado, não pode ser mantido. Ele é sua própria negação. Vibra, indeciso, entre o extremo: “Tudo pode ser duvidado, inclusive a dúvida” e o extremo “Nada pode ser autenticamente duvidado”. Com o fito de superar o absurdo da dúvida, leva esse absurdo…

  • A nossa circunstância era composta, ainda recentemente, de objetos. De casas e móveis, de máquinas e veículos, de roupas e sapatos, de livros e quadros, de latas e garrafas. Havia, naquele tempo, gente em nosso entorno, mas as ciências “humanas’’ tinham objetivado tal gente. Ficou tão calculável e manipulável como qualquer outro objeto. A circunstância…

  • A preocupação com o pensamento, a consideração do intelecto é a disciplina da língua. Se o elemento do pensamento é a palavra, então o pensamento passa a ser uma organização linguística, e o intelecto passa a ser o campo no qual ocorrem organizações linguísticas. Se descrevemos o pensamento como processo, podemos, já agora, precisar de…

  • Certos exercícios do Ioga ultrapassam, em radicalidade, as meditações cartesianas. Revelam vivencialmente, não que penso, mas que tenho pensamentos. Posso, nesses exercícios, eliminar os pensamentos, mas continuarei sendo. Com efeito, o método cartesiano prova a existência de pensamentos, não do eu que pensa. Há uma fé humanista no “eu” que se infiltra, sub-repticiamente, no argumento…

  • Trata-se de imagem produzida por aparelhos. Aparelhos são produtos da técnica que, por sua vez, é texto científico aplicado. Imagens técnicas são, portanto, produtos indiretos de textos – o que lhes confere posição histórica e ontológica diferente das imagens tradicionais. Historicamente, as imagens tradicionais precedem os textos, por milhares de anos, e as imagens técnicas…

  • Os exercícios mentais que fazem parte da disciplina da ioga começam pela “concentração”. Aquele que, movido por curiosidade ou por descrença nos métodos ocidentais do conhecimento, compra uma Introdução aos Segredos do Yoga e ensaia esse primeiro exercício mental sofre um choque curioso. O livro recomenda, em síntese, a eliminação de todos os pensamentos, salvo…

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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