Tag: (A) Blattner
BLATTNER, William D.
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O estado de espírito (Befindlichkeit) não só define o tom da vida, como também nos sintoniza com as importações diferenciais das coisas, pessoas e acontecimentos à nossa volta. Uma importação é o modo como algo é importante para nós. Por exemplo, no §30, Heidegger analisa o medo em termos de três componentes: aquilo perante o…
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Normalmente, não nos sentimos isolados dos outros, mas antes imersos no mundo juntamente com eles. “E assim, no fim de contas, um eu isolado sem os outros está igualmente longe de ser simplesmente dado” (152/116). Como são os nossos encontros com os outros no decurso da nossa atividade quotidiana? Tal como as parafernálias não são…
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Estar familiarizado com o intamundano é estar absorvido por ele. Ao realizar suas atividades cotidianas, o Dasein constantemente faz uso do intramundano (ou deixa de fazê-lo). Nas compras de supermercado, o Dasein usa um carro, um carrinho de supermercado, dinheiro e assim por diante. Toda atividade envolve comércio com coisas intramundanas. Até mesmo a contemplação…
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“O que tomamos ontologicamente com o termo afetividade é: sintonia, estar-afinado” (SZ:134). Esta sintonia revela o Dasein como o ente “a quem o Dasein foi entregue no seu ser, que o Dasein tem de ser” (ibid.). Ou seja, a sintonização revela o caráter de ser-jogado, a facticidade do Dasein. O que é mais especificamente a…
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Como a decadência (Verfallen) se abre? O terceiro elemento da estrutura de abertura (Erschlossenheit), conforme explicitado na parte A do capítulo 5 da divisão 1, é o discurso (Rede). Mas observe que a parte B desse capítulo, uma exploração da abertura não autêntica, caracteriza essa abertura como “decadente”. Isso sugere que a decadência é um…
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(…) No §41 (ET41), que reúne o relato de Heidegger sobre o cuidado (Sorge), ele escreve: “As características ontológicas fundamentais dessa entidade (isto é, o Dasein) são existencialidade, facticidade e decadência (Verfallensein)” (SZ:191). Assim, a decadência (Verfallen) é um terceiro elemento da estrutura do cuidado. Mas o termo “decair” não aparece pela primeira vez na…
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No §58 (ET58) sobre “culpa”, Heidegger introduz a linguagem do “ser-fundamento” (Grundsein) para sua projeção, do Dasein. O Dasein sempre projeta com base em seu ser-lançado, na maneira como as coisas já importam para ele. Ele escreve, O Dasein existencialmente é o fundamento de sua capacidade de ser como esse ente, a quem foi entregue…
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Heidegger argumenta que há uma conexão intrínseca entre afetividade e compreensão, na medida em que o que é revelado pela afetividade serve como base para o Dasein avançar para a autocompreensão que busca: A possibilidade como um existencial não significa uma capacidade de ser livremente flutuante no sentido da “indiferença da vontade” (libertas indifferentiae). O…
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Assim, se a matriz ontológica da possibilidade e da determinação deve ser aplicada ao Dasein, a determinação do Dasein deve ser entendida sem o benefício das características de estado. Na sua noção de facticidade, Heidegger tenta precisamente desenvolver um conceito de determinação que nos permita caracterizar o Dasein como determinado sem abandonar a tese da…
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Heidegger tem de desenvolver uma conceção da determinação do Dasein que derive ou cresça a partir da sua concepção da possibilidade do Dasein, ou existencialidade: “A facticidade não é a factualidade do factum brutum de algo que ocorre, mas antes uma característica do ser do Dasein, que é levado à existência, mesmo que seja primeiramente…
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Antes de prosseguirmos, devemos discutir a palavra “disposedness”, com a qual escolhi traduzir o neologismo alemão de Heidegger “Befindlichkeit”. Macquarrie e Robinson traduzem “Befindlichkeit” como “estado de espírito”, o que é bastante enganador. Heidegger evita a linguagem das “mentes”, e a linguagem dos “estados” sugere substâncias com propriedades. Apesar disso, Macquarrie e Robinson utilizam “estado…
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Como o termo “decair” (Verfallen) se move na arquitetura de Heidegger, é melhor tratá-lo como um termo ambíguo e classificar os vários fenômenos aos quais ele se aplica de forma equívoca. A seção 41 (ET41) explicita a existencialidade do cuidado ao recaracterizar a existencialidade como “ser-adiante” e a facticidade como “ser-já-em”. Coordenado com o ser-adiante…
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A tese da afetividade: O determinativo do Dasein consiste no modo como as coisas lhe importam. Por que esse deveria ser o conceito de facticidade usado por Heidegger? Qual é a sua justificativa para a afirmação de que a determinação peculiar do Dasein reside no modo como as coisas lhe importam, e não no que…
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Assim, os estados de espírito (Befindlichkeit) (1) revelam importações, (2) funcionam como atmosferas, (3) revelam “como vamos levando”, (4) são passivos, (5) têm objetos, e (6) co-constituem o conteúdo da experiência. (…) Assim, não só os estados de espírito e as emoções, mas também as sensibilidades e as virtudes (bem como os vícios), partilham algumas…
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Esta tese central, existencialista, está no cerne da concepção de Heidegger sobre o ser humano. Formulemo-la assim: A Tese da Existencialidade: Se Dasein é A, então é A porque se compreende ele mesmo como A. In §9 of Being and Time, whose aim is the preliminary presentation of “The Theme of the Analytic of Dasein”…
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Vimos que para o Dasein ser (propriamente) A, tem de se compreender ele mesmo como A. Agora, o que é que está envolvido em compreender-se como A? Heidegger responde a esta questão introduzindo a sua noção de projeção (Entwurf). A palavra alemã “Entwurf” não tem todos os significados que a palavra inglesa “projection” tem. O…
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A tese da habilidade: Todas as características do Dasein são características de habilidade. “Mas certamente”, alguém poderá objetar, “esta Tese da Habilidade é indefensável: O Jones tem muitas características de estado, como o fato de ter um metro e oitenta”. Para defender a Tese da Habilidade, argumentarei, em primeiro lugar, que a característica de estado…
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No §30, Heidegger desenvolve a sua explicação de (Stimmung) através do exemplo do medo. Ora, é sempre incerto, quando confrontado com um exemplo, até que ponto se pode generalizar a partir dele, e Heidegger não se esforça por nos ajudar aqui. Com efeito, tomarei uma posição sobre essa questão, optando por me concentrar nas duas…