SZ:267-268 – Selbstseinkönnen – poder-ser-si-mesmo

Schuback

O que se busca é um poder-ser próprio da presença, testemunhado por ela mesma em sua possibilidade existenciária. Antes de tudo é preciso que esse testemunho se deixe encontrar. E caso esse testemunho “se dê a compreender” para a presença em sua existência própria e possível, então ele deve ter suas raízes no ser da presença. A demonstração fenomenológica desse testemunho resguarda, pois, a comprovação de sua origem a partir da constituição de ser da presença.

O testemunho deve dar a compreender um poder-ser-si-mesmo, de maneira própria. Com a expressão “si-mesmo” chegamos a responder à questão do quem da presença 1. O si-mesmo da presença foi formalmente determinado como um modo de existir e não como algo simplesmente dado. Na maior parte das vezes, o quem da presença não é eu mesmo mas o impessoalmente-si-mesmo. O ser-si-mesmo de maneira própria determina-se como uma modificação existenciária do impessoal que ainda necessita de uma delimitação existencial 2. O que acontece nessa modificação e quais as condições ontológicas de sua possibilidade? (345)

No momento em que a presença se perde no impessoal, já se decidiu sobre o poder-ser mais próximo e fático da presença, ou seja, sobre as tarefas, regras, parâmetros, a premência e a envergadura do ser-no-mundo da ocupação e preocupação. O impessoal já sempre impediu para a presença a apreensão dessas possibilidades ontológicas. O impessoal encobre até mesmo o ter-se dispensado do encargo de escolher explicitamente tais possibilidades. Fica indeterminado quem “propriamente” escolhe. Essa escolha feita por ninguém, através da qual a presença se enreda na impropriedade, só pode refazer-se quando a própria presença passa da perdição do impessoal para si mesma. Essa passagem, no entanto, deve possuir o modo de ser por cuja negligência a presença se perde na impropriedade. A passagem do impessoal, ou seja, a modificação existenciária do impessoalmente si mesmo para o ser-si-mesmo de maneira própria deve-cumprir-se como recuperação de uma escolha. Recuperar a escolha significa escolher essa escolha, decidir-se por um poder-ser a partir de seu próprio si-mesmo. Apenas escolhendo a escolha é que a presença possibilita para si mesma o seu poder-ser próprio.

Porque está perdida no impessoal, a presença deve primeiro encontrar-se. Para encontrar-se, ela deve “mostrar-se” a si mesma em sua possível propriedade. A presença necessita do testemunho de um poder-ser si mesma que, como possibilidade, ela já sempre é.

A auto-interpretação cotidiana da presença conhece como voz da consciência 3 aquilo que a seguir apresentaremos como testemunho. Que o “fato” da consciência seja questionado, que diversas sejam as avaliações de sua função de instância para a existência da presença e que sejam múltiplas as interpretações do que “ela diz”, tudo isso deveria levar-nos a renunciar a esse fenômeno. No entanto, justamente a “dubiedade” desse fato e de sua interpretação provam que aí reside um fenômeno originário da presença. A presente análise se coloca a consciência na posição prévia de tema de uma investigação puramente existencial, com vistas à ontologia fundamental. (346) (p. 345-346)

Castilho

Rivera

Martineau

Vezin

Macquarrie & Robinson

Original

  1. Cf. § 25, p. 170s.[↩]
  2. Cf. § 27, p. 183s, e, em especial, p. 188.[↩]
  3. As considerações presentes e as que haverão de seguir foram apresentadas, sob forma de tese, por ocasião de uma conferência pública em Marburgo (julho 1924) sobre o conceito de tempo em determinados limites e conceituou numa “teoria” da consciência.[↩]
  4. (a) 1) o atestador como tal, 2) o que é nele atestado.[↩]
  5. Cf. § 25, pp. 153 ss.[↩]
  6. Cf. § 27, pp. 168 ss., em especial p. 173.[↩]
  7. (a) O acontecer-do-ser — filosofia, liberdade.[↩]
  8. As considerações que precedem e que se seguem foram dadas a conhecer, em forma de teses, por ocasião de uma conferência pública sobre o conceito de tempo pronunciada em Marburgo, em julho de 1924.[↩]
  9. (b) Isto agora mais radicalmente a partir da essência do filosofar.[↩]
  10. (a) 1. lo atestiguante en cuanto tal; 2. lo atestiguado en él.[↩]
  11. Cf. § 25, p. 140 ss.[↩]
  12. Cf. § 27, p. 150 ss., especialmente p. 154.[↩]
  13. (a) Acontecer del ser – filosofía, libertad.[↩]
  14. Las consideraciones que anteceden y las que siguen fueron dadas a conocer en forma de tesis con ocasión de una conferencia pública sobre el concepto de tiempo leída en Marburg (Julio de 1924).[↩]
  15. (b) Esto ahora más radicalmente desde la esencia del filosofar.[↩]
  16. Cf. supra, §27, p. (126) sq., notamment p. (130).[↩]
  17. (a) 1) Ce qui atteste comme tel. 2) Ce qui est attesté en lui.[↩]
  18. Cf. § 25, p. 114 sqq.[↩]
  19. Cf. § 27, p. 126 sqq., particulièrement p. 130.[↩]
  20. (a) Aventuration de l’être – philosophie, liberté.[↩]
  21. Les considérations précédentes et celles qui vont suivre ont fait l’objet d’une communication sous forme de thèses à l’occasion d’une conférence publique donnée à Marbourg (juillet 1924) sur le concept de temps.[↩]
  22. (b) Cette fois de façon plus radicale en partant de l’essence du philosopher.[↩]
  23. ‘. . . wenn sie dem Dasein es selbst in seiner möglichen eigentlichen Existenzzu verstehen geben” . . .’[↩]
  24. Vgl. § 25, S. 114 ff.[↩]
  25. Vgl. § 27, S. 126 ff., bes. S. 130.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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