SZ:262-263 – morte, possibilidade da impossibilidade de todo existir

Castilho

Mas o ser para a possibilidade como ser para a morte deve comportar-se em relação a ela de modo que, nesse ser e para ele, ela se desvende como possibilidade. Tal ser para a possibilidade, nós o apreendemos terminologicamente como adiantar-se na possibilidade. Mas esse comportamento não contém em si uma aproximação do possível, e na proximidade do possível em si não surge uma sua realização efetiva? Não, porque essa aproximação não tende a tornar disponível algo efetivamente real na ocupação, mas, somente no aproximar-se que entende apenas a possibilidade do possível, se torna “maior”. A máxima proximidade do ser para a morte, como possibilidade, está o mais longe possível do efetivamente real. Quanto mais patente é o entendimento dessa possibilidade, tanto mais puramente o entendimento penetra na possibilidade como impossibilidade da existência em geral. A morte como possibilidade nada oferece ao Dasein para “realizar efetivamente” e nada que ele possa ser ele mesmo como efetivamente real. A morte é a possibilidade da impossibilidade de todo comportar-se para… de todo existir. No adiantar-se nessa possibilidade, ela se torna “cada vez maior”, isto é, ela se descobre como tal, já não conhecendo medida alguma, nem maior nem menor, mas significando a possibilidade da impossibilidade imensurável da existência. Segundo sua essência, essa possibilidade não oferece nenhum ponto-de-apoio a uma tendência para algo, para “se figurar” o efetivamente real possível e, dessa maneira, esquecer a possibilidade. O ser para a morte como adiantar-se na possibilidade possibilita essa possibilidade e, como tal, põe-na em liberdade.

O ser para a morte no adiantar-se é um poder-ser do ente cujo modo-de-ser é o adiantar-se ele mesmo. No adiantar-se desvendador desse poder-ser, o Dasein se abre (721) para si mesmo no que concerne à possibilidade extrema. Mas projetar-se sobre o poder-ser mais-próprio significa: poder se entender a si mesmo, no ser do ente assim desvendado: existir. O adiantar-se se mostra como possibilidade do entender do extremo poder-ser mais-próprio, isto é, como possibilidade da existência própria. Sua constituição ontológica deve se tornar visível pela exposição da estrutura concreta do adiantar-se até a morte. (p. 721)

Rivera

Vezin

Macquarrie & Robinson

Original

  1. ‘. . . Vorlaufen in die Möglichkeit.’ While wc have used ‘anticipate’ to translate ‘vorgreifen’, which occurs rather seldom, we shall also use it — less literally — to translate ‘vorlaufen’, which appears very often in the following pages, and which has the special connotation of ‘running ahead’. But as Heidegger’s remarks have indicated, the kind of ‘anticipation’ which is involved in Being-towards-death, does not consist in ‘waiting for’ death or ‘dwelling upon it’ or ‘actualizing’ it before it normally comes; nor does ‘running ahead into it’ in this sense mean that we ‘rush headlong into it’.[↩]
  2. ‘. . . dessen Seinsart das Vorlaufen selbst ist.’ The earlier editions have ‘hat’ instead of ‘ist’.[↩]
Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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