SZ:258 – a morte certamente vem…

Castilho

A-gente diz: a morte certamente vem, mas por ora ainda não. Com esse “mas” a-gente nega certeza à morte. O “por ora ainda não” não é uma proposição meramente negativa, mas uma interpretação que a-gente dá-de-si-mesma e com a qual ela se reporta ao que de imediato ainda permanece acessível ao Dasein e de que ele pode se ocupar. A cotidianidade urge na premência da ocupação e no livrar-se das amarras do cansativo e “passivo pensar na morte”. Esta é remetida a “mais tarde, um dia” e o faz apelando é certo para o chamado “parecer geral”. Dessa maneira a-gente encobre o que a certeza da morte tem de peculiar: que ela épossível a todo instante. Com a certeza da morte vai junto a indeterminação do seu quando. O ser-cotidiano-para-a-morte se esquiva ao lhe emprestar determinação. Mas tal determinar não pode significar o cálculo do quando da ocorrência do deixar-de-viver. O Dasein foge, ao contrário, de tal determinidade. A indeterminidade da morte certa determina para si a ocupação cotidiana de tal forma que lhe antepõe as urgências e as possibilidades previsíveis da vida imediata de todos os dias.

Mas o encobrimento da indeterminidade atinge também a certeza. E assim fica encoberto o caráter-de-possibilidade mais-própria da morte: ser certa e ao mesmo tempo indeterminada, isto é, possível a cada instante. (p. 711)

Rivera

Vezin

Macquarrie

Original

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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