Maldiney (Aîtres:10-11) – o tempo começa com o “eu”

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O tempo é o meio de preocupação (Sorge), o campo de presença e ausência da existência em vista de si mesma… Mas este em vista de si não implica necessariamente um projeto de totalização — como Hegel e Heidegger assumem na sua constituição da história e da historicidade. A preocupação heideggeriana, a inquietude das ideias na dialética de Hegel, é polarizada pelos conceitos interligados de plenitude e fim. A perfeição do espírito (Voll-endung) em Hegel consiste em saber completamente o que ele é, sendo este conhecimento uma passagem em si mesmo. Heidegger, por seu lado, liga o “ser para o fim” (Sein zum Ende) ao “conceito existencial pleno (véu) da morte” [SZ:245,255]. Para um, o objetivo é a dissolução da opacidade primordial em transparência absoluta — onde a profundidade revelada se suprime a si própria como profundidade. Para o outro, “o mesmo impulso que antecipa a possibilidade insuperável, porque revela ao mesmo tempo todas as possibilidades situadas abaixo dela, oferece a possibilidade de uma antecipação existencial da presença total, isto é, da possibilidade como poder-ser total” (Ibid., p. 264).

original

  1. Hegel, Phänomenologie…, p. 619. Trad. Hyppolite, II, 312.[↩]
  2. Heidegger, Sein und Zeit, p. 245 et 255.[↩]
  3. Ibid., p. 264.[↩]
Excertos de ,

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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