No palavreado todas as coisas estão aparentemente reveladas. O público sabe explicar tudo, ele tem sempre razão. O motivo desta autoridade do público não é uma relação privilegiada para com o ente. Pelo contrário, é na possibilidade de entender tudo sem o esforço de um estudo sério do assunto, no ouvir e passar adiante meias-verdades, que reside o seu poder. Tudo o que nos aparece, aparece primeiramente na interpretação do palavreado, e se chegamos a reportar-nos, originalmente, ao ente e ao seu ser, não é senão através da luta contra o palavreado e da libertação dos fenômenos da crosta de interpretações superficiais. (1993, p. 175)