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A Priori como Conhecido A Priori

DUFRENNE, Mikel. The notion of the A Priori. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2009.

1. O caráter transcendental do a priori significa que ele é conhecido pelo sujeito antes de ele experimentar os objetos, sendo tanto dado a ele quanto dado nele, e o a priori pertence à subjetividade, pois o sujeito não é meramente receptivo em sua relação com o mundo, mas sai ao seu encontro e sempre o antecipa.

2. O a priori não é uma regra possuída e aplicada pela subjetividade, mas o sujeito possui a aptidão para compreender o a priori que lhe é oferecido e, uma vez dado, reconhecê-lo, e essa aptidão é uma compreensão pré-dada do dado, sem a qual o significado do dado apareceria apenas no final de uma investigação.

3. O a priori é o que já se conhece, como o escravo no Mênon de Platão já “conhecia” geometria, mas esse conhecimento é uma possibilidade que pode permanecer adormecida indefinidamente, a menos que algum evento venha despertá-la, e há um conhecimento implícito presente em nós sem precisar ser formulado.

4. A virtualidade do a priori subjetivo implica a historicidade do a priori objetivo em seu aparecimento, e a teoria das ideias inatas, ao afirmar que o sujeito traz o a priori em si mesmo, afirma que ele não depende nem de sua história pessoal nem do mundo exterior, sendo, portanto, inengendrável.

5. A ideia do inengendrável é encontrada em filosofias não acusadas de psicologismo, e mesmo em Kant há um suporte para ela, pois o sujeito moral, que age segundo uma causalidade inteligível, não é totalmente temporal, e sua ação livre é um começo absoluto.

6. Em Sartre, o “projeto original” é o elemento finalmente irredutível no homem, e a pessoa é definida como o sujeito definido pelo a priori que lhe é próprio, e o sujeito tem uma natureza, sendo afetado por uma contingência que não é necessariamente a marca da liberdade.

7. O virtual é o princípio de uma história individual na medida em que se atualiza ou tende a se atualizar, e a virtualidade em si mesma não é histórica, sendo o princípio da gênese, não seu efeito, e o sujeito é inengendrável por ser imbuído do virtual.

8. A teoria das ideias inatas não desacredita uma teoria genética, pois o virtual comanda o atual, e a anterioridade do virtual não é apenas lógica, mas também real, pois o virtual institui uma cronologia, e a anterioridade lógica do a priori é expressa na ordem temporal como uma anterioridade radical.

9. A virtualidade é atualizada apenas se pertencer a um sujeito concreto, capaz de atividade, e o transcendental existe, mesmo como virtual, apenas por encarnação no empírico, e o retorno ao empírico fornece novas garantias para o caráter transcendental.

10. A fenomenologia de Husserl, ao se tornar genética, descobre o habitus, o peso do adquirido e sedimentado, e a gênese passiva opera em nós sem nossa participação consciente, e a experiência pré-predicativa é o ponto culminante de uma teoria dos juízos evidentes.

11. A virtualidade deve ser entendida em referência ao ser, e não em relação ao conhecer, e o conhecimento pode ser definido como uma maneira de ser, e não como uma maneira de agir, e o passado é inteiramente conhecimento, ou mais exatamente, autoconhecimento.

12. O conhecimento virtual é um conhecimento que se é e não um conhecimento que se possui, e atualizar o virtual é realizar em outra perspectiva o que Kant considerava impossível: um conhecimento não objetivante do self.

13. O conhecimento de si torna-se conhecimento do mundo também, e conhecer o objeto é conhecê-lo como outro, mas esse conhecimento pode envolver uma intimidade com ele, pois estou presente a ele com a totalidade de mim mesmo.

14. A memória, com Bergson, tem um significado cosmológico, e a duração é concentrada e reunida na memória, e por meio da memória não sou apenas um herdeiro, mas carrego minha herança dentro de mim: a história do mundo.

15. A memória pré-pessoal, que não é apenas o assento de memórias particulares, mas um conhecimento implícito, não me pertence, sendo o eco de um passado que não é meu ou de ninguém: o eco do mundo na medida em que apareço nele.

16. A memória pessoal, entendida como conhecimento implícito, é primeiro conhecimento de si e depois conhecimento do objeto, mas o inverso é verdadeiro para a memória pré-pessoal: ela é primeiro conhecimento virtual do mundo, uma disposição singular para reconhecê-lo e me orientar nele.

17. O a priori, em sua função constitutiva com respeito ao objeto, é virtualmente conhecido, e em sua relação com o sujeito, é esse próprio conhecimento virtual, que espera pela experiência para ser posto em operação e espera pela reflexão transcendental para ser sistematizado.

18. A intencionalidade é a capacidade da consciência de visar um objeto, e o a priori, em sua virtualidade, aparece como uma intencionalidade inconsciente, na qual a consciência é fundada como intencional, e a intencionalidade inconsciente é uma direção para certos objetos dos quais a consciência ainda não está consciente.

19. A intencionalidade não pode ter um interior, e a virtualidade não é um estado de consciência, mas o modo de ser de um ser que é completo apenas como consciência, e a virtualidade prepara a transparência da intencionalidade e se anula nela.

20. A subjetividade é a possibilidade real da consciência, e o projeto da subjetividade é um projeto que se destrói no momento de se realizar, e a subjetividade não é absolutamente diferente da consciência, sendo intencional na medida em que tende a ser consciência.

21. A personalização da subjetividade introduz a ideia de predestinação, e a pessoa não se torna aberta ou fechada ao a priori objetivo, que ela recebe contra sua vontade, e a descoberta de novos a priori é uma função de uma perspectiva pessoal que permanece imutável.

22. O sujeito tem uma natureza para começar, e essa facticidade define a relação fundamental do para-si com o mundo, e o a priori, agora considerado como subjetivo, me constitui, definindo minha constituição como uma estrutura de ser, não como uma condição de possibilidade.

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