estudos:marion:dar-se-mostrar-se
Dar-se, mostrar-se
MarionDado
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Investiga o estatuto conceitual da doação e sua relação essencial com o fenômeno
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Aborda a objeção de que doação seria apenas um significante ambíguo sem conceito unificado
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Defende que sua polissemia resulta de um conceito que articula precisamente ato, resultado, ator e modo
Análise da ambiguidade constitutiva da doação no uso francês-
Dualidade inerente: a doação significa tanto o ato de dar (donner) quanto o resultado dado (don)
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Crítica à tentativa de se restringir ao donné (dado) para evitar a ambiguidade
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Ilustração com o caso limite do dado (dado de um problema)
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Mesmo o dado mais neutro implica uma imposição, um advir ao receptor
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Sua característica de ser proposto, distribuído ou imposto revela o movimento da doação
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O dado abre uma nova situação e uma nova sequência temporal, indicando seu surgimento
Conclusão: um fato puro, sem o caráter de dado advindo, seria ininteligível e não constituiria um problemaO dado atesta a doação por sua imposição e por seu trabalho ulteriorExplicitação do conceito de doação como o pli (dobra) do dado-
A doação não é externa ao dado; ela se inscreve nele como o caráter de seu advento
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Exemplo de Spinoza: da essência dada (data) segue-se necessariamente um efeito
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A necessidade de dedução pressupõe a imposição (a doação) da própria essência como dada
O dado sempre porta a marca do evento por que se impõe; sua ambiguidade (fato e processo de acesso) é constitutivaA doação é a dobra do dado: a articulação do dom dado (resultado) sobre seu processo de adventoA questão da doação consiste precisamente na investigação dessa relaçãoConsequência metodológica: a carga da prova inverte-se-
Não se trata mais de justificar o pensamento do fenômeno a partir da doação
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Trata-se de saber se ainda se pode pensar o fenômeno sem a doação
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A hipótese de um fenômeno que aparece sem se dar parece contraditória e exigiria prova fenomenológica precisa
Exame da dificuldade de traduzir o alemão Gegebenheit-
A dificuldade revela a tentativa de transpor em dois termos um único conceito que marca uma dualidade
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Crítica à proposta de traduzir Gegebenheit ora por “dado”/“dada”, ora por “presença”
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A separação é arbitrária e imprecisa, pois os sentidos se justapõem constantemente
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A tradução por “presença” é problemática, pois Husserl pensa a presença a partir da doação, e não o inverso
A decisão de traduzir por um termo único (“dado”) implica uma opção conceitual: separar o dado de qualquer processo de doação-
Isso reduziria o dado a um fato bruto, neutro, sem estatuto de dom
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Tal operação contradiz o projeto husserliano de reconduzir o objeto aos seus modos de doação
O verdadeiro motivo para ocultar o pli da Gegebenheit é a dificuldade do conceito-
O paradoxo da doação: o dado aparece, mas o processo de doação que o produz permanece dissimulado
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A fenomenologia ganha sua legitimidade ao tornar visível justamente o invisível desta doação
Formulação da tese central: o fenômeno se dá-
Justificativas para esta fórmula:
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a) Ela faz jus à definição husserliana do fenômeno na correlação entre aparecer (Erscheinen) e aparecente (Erscheinenden), ambos como Gegebenheiten
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b) O fenômeno só pode aparecer em pessoa, sem déficit de um em-si, se ele se dá, força o acesso à cena do mundo
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c) Reciprocamente, o que se dá deve se mostrar. Dar implica dar a ver a uma instância (ex., uma consciência). O dado explode na visibilidade.
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d) A fórmula ecoa e precisa a definição heideggeriana do fenômeno como “aquilo-que-se-mostra” (das Sichzeigende)
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O “si” (sich) desta definição é impreciso. Sugere-se que ele consiste na dobra (pli) que distingue e liga o surgimento (doação) ao dado.
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O fenômeno se mostra por si porque é levado pelo impulso de sua doação
Conclusão: Se mostrar equivale a se dar. Mostrar-se é desdobrar a dobra da doação onde o fenômeno surge como um dom.Tarefa subsequente anunciada: verificar no detalhe dos fenômenos como se exerce a primazia fenomenológica da doação -
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