A resposta de Gadamer às objeções de Derrida, articulada no texto *Und dennoch: Macht des Guten Willens*, desvincula o esforço de compreensão da metafísica ou da boa vontade kantiana, ancorando-o, em vez disso, na tradição do
Sócrates platônico do *Gorgias*, para quem é preferível ser refutado a refutar; trata-se, portanto, de uma posição fenomenológica que descreve as práticas cotidianas de fala e compreensão, onde quem fala deseja ser compreendido, inclusive seres imorais ou autores como Derrida e Nietzsche, sem que isso elimine a realidade do não entendimento ou do mal-entendido, concordando-se que não existe compreensão ininterrupta e que o diálogo psicanalítico representa uma manifestação extrema dessa quebra.