estudos:marion:ruptura-husserliana
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| + | ====== INTERPRETAÇÕES DA RUPTURA E SUA UNIDADE NAS INVESTIGAÇÕES LÓGICAS ====== | ||
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| + | * A designação de "obra de ruptura" | ||
| + | * Este reconhecimento tardio situa o significado da ruptura não em si mesma, mas em relação ao desenvolvimento posterior da fenomenologia, | ||
| + | * O paradoxo reside no fato de que o alcance teórico da ruptura de 1900-1901 só é compreendido em referência ao que ela ainda não enunciou, seja para criticar esse deslocamento como uma deriva, seja para afirmá-lo como o caminho correto. | ||
| + | * A leitura autêntica da ruptura exige que ela seja lida de acordo com o discurso único das próprias Investigações, | ||
| + | * A tarefa interpretativa não consiste primariamente em identificar as teses e os autores criticados, pois os adversários de Husserl permanecem inconscientes da situação metafísica que os determina. | ||
| + | * Estudos meramente doxográficos são insuficientes; | ||
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| + | * Duas problemáticas principais e opostas tentaram situar metafisicamente a ruptura das Investigações, | ||
| + | * A primeira interpretação, | ||
| + | * Heidegger vê na intuição categorial husserliana a conquista da doação do ser, uma superação da dissimulação neokantiana e uma abertura para a questão do sentido do ser (Sinn des Seins). | ||
| + | * Esta leitura estabelece uma filiação direta, ainda que implícita, entre a ruptura das Investigações e //Sein und Zeit//, na medida em que a primeira possibilitaria a segunda. | ||
| + | * Nesta tópica, a ruptura antecipa a destruição da ontologia e realiza o fim da metafísica, | ||
| + | * A segunda interpretação, | ||
| + | * Derrida argumenta que Husserl, ao reconduzir a significação ideal a uma intuição de preenchimento, | ||
| + | * A fenomenologia, | ||
| + | * A superação da metafísica como " | ||
| + | * Nesta tópica, a ruptura não ultrapassa a metafísica, | ||
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| + | * O conflito entre essas duas interpretações orienta as Investigações em direções opostas, levantando duas questões principais. | ||
| + | * A primeira questão concerne o motivo husserliano consciente da ruptura: em que consiste, para Husserl, a ruptura das Investigações, | ||
| + | * A segunda questão concerne a relação entre as duas leituras: a distinção entre a doação categorial do ser (Heidegger) e a intuição presentificadora (Derrida) oferece uma portada conceitual suficiente para que as leituras se organizem de modo mais sutil, em vez de se confrontarem? | ||
| + | * Subjaz a esta questão um problema conceitual fundamental: | ||
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| + | * A resposta à primeira questão exige examinar a autointerpretação de Husserl sobre a ruptura, que reside na exigência de um " | ||
| + | * A fonte das dificuldades da análise fenomenológica pura está na orientação anti-natural do pensamento e da intuição que ela exige. | ||
| + | * Este hábito exige não considerar os objetos como efetivos, mas os atos que os sustentam, reconduzindo as concepções à intuição que lhes corresponde. | ||
| + | * O " | ||
| + | * A verificação dos enunciados exige sua repetição a partir da intuição efetivamente performada, a partir dos atos, em uma remontagem intuitiva às necessidades essenciais. | ||
| + | * A regra do retorno à intuição se aplica universalmente, | ||
| + | * A autointerpretação tardia de Husserl, no ensaio de Prefácio de 1913, explicita a ruptura como sendo estritamente " | ||
| + | * Já em 1901, Husserl via a pedra angular (//Grund- und Eckstein//) da fenomenologia em um " | ||
| + | * Conclui-se, portanto, que a ruptura consiste na elevação da intuição, como operadora da evidência, ao posto de justificação fenomenológica adequada e determinante (// | ||
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| + | * Esta conclusão sobre o papel central da intuição suscita duas confirmações que consolidam a interpretação. | ||
| + | * A primeira confirmação demonstra a continuidade entre o " | ||
| + | * O ensaio de Prefácio de 1913 afirma que as próprias Investigações professam radicalmente o princípio que concede o direito (//Recht//) àquilo que é visto claramente, à percepção doadora originária. | ||
| + | * Este princípio não limita, mas constitui o acabamento e a verdade do retorno às coisas mesmas, pois retornar dos objetos aos atos implica que a intuição originariamente doadora seja uma fonte de direito do conhecimento. | ||
| + | * Textos das próprias Investigações, | ||
| + | * A introdução ao Tomo II sob o título " | ||
| + | * A segunda confirmação identifica que a realização deste retorno intuitivo exige um novo conceito de intuição, submetido a um " | ||
| + | * A intuição só pode ser o recurso principial de todo conceito se for ela mesma reformada fenomenologicamente, | ||
| + | * Embora anunciado desde a IIª Investigação, | ||
| + | * A realização definitiva deste alargamento ocorre apenas na segunda parte da VIª Investigação, | ||
| + | * Esta estrutura revela a unidade profunda da obra: a Iª Investigação tem um caráter preparatório (// | ||
| + | * A ordem "em ziguezague" | ||
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| + | * A resposta à questão inicial sobre a essência da ruptura pode, portanto, ser formulada com precisão. | ||
| + | * A ruptura das Investigações Lógicas consiste em reconduzir todos os conceitos e objetos à intuição, o que implica um alargamento radical da própria portada da intuição. | ||
| + | * A ruptura fenomenológica significa que a intuição, em seu sentido ampliado, dá a ver mais do que parece para um olhar natural, tornando-se a fonte de direito para todo fenêmeno que se apresenta à reflexão anti-natural. | ||
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