estudos:marion:reivindicacao
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| + | ====== REIVINDICAÇÃO ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Réduction et donation: Recherches sur Husserl, Heidegger et la phénoménologie. Paris: PUF, 1989.// | ||
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| + | * É constante que a angústia não dá acesso como tal ao " | ||
| + | * A dificuldade fundamental da mise en scène do " | ||
| + | * A necessidade fenomenológica desta interpretação deriva do resultado último da angústia: a indistinção (Gleichgültigkeit) que anula toda referência diferenciada. | ||
| + | * Na angústia, "o ente não nos fala mais (spricht nicht mehr an)". Isto significa tanto que o ente não mais nos "diz nada", quanto que ele não mais nos " | ||
| + | * O Nada cala o ente, cala o ente em seu conjunto e, finalmente, cala a si mesmo. Seu silêncio autista não pode referir a nada além de sua própria indiferenciação. | ||
| + | * Fenomenologicamente, | ||
| + | * Dois textos confirmam a dificuldade de interpretar o Nada como ser a partir de sua aparição silenciosa na angústia. | ||
| + | * (a) O Posfácio de 1943 afirma: "O Nada como o outro do ente é o véu do ser". | ||
| + | * A angústia é um "lugar essencial da perda da palavra (Sprachlosigkeit)" | ||
| + | * Heidegger não identifica o Nada ao ser, mas o mantém como seu " | ||
| + | * O Posfácio se encerra com a aporia: do ser, o fenômeno resta por vir. | ||
| + | * (b) Outra sequência declara que o homem, " | ||
| + | * Este chamado ocorre na disposição para a angústia, como resposta à "mais alta reivindicação (Anspruch)" | ||
| + | * Contradição: | ||
| + | * O próprio Heidegger, no Posfácio, parece admitir o abismo entre Nada e ser ao tentar reduzi-lo. | ||
| + | * Ele considera a hipótese de o Nada permanecer um "nada de Nada (nichtiges Nichts)", | ||
| + | * Rejeita-a apelando para a pertença mútua e indissolúvel de ser e ente. Este argumento, porém, é circular: pressupõe o que precisa ser estabelecido a partir da experiência da angústia. | ||
| + | * A correção textual de 1949 (de uma subordinação para uma implicação recíproca entre ser e ente) revela o esforço para paliar a insuficiência da interpretação do Nada como ser. | ||
| + | * Conclui-se que uma interpretação é, como tal, requisitada para atingir o ser a partir do Nada. Caso contrário, o Nada poderia constituir o último fenômeno. | ||
| + | * A questão seguinte é: por qual fio condutor deve se desdobrar a interpretação do Nada como ser? | ||
| + | * Na situação de angústia, nada intervém ou reivindica mais (spricht nicht mehr an). Que instância poderia conduzir a interpretação? | ||
| + | * A solução surge no Posfácio com a introdução de uma nova instância: a reivindicação do ser (Anspruch des Seins). | ||
| + | * Ignorada em 1929, ela é a única que pode arrancar a conferência de sua aporia. | ||
| + | * A reivindicação que o ser exerce sobre o Dasein deve realizar o que falta na reivindicação deficiente do ente: desvelar o Nada como o ser. | ||
| + | * Esta intervenção implica uma inversão total do percurso fenomenológico. | ||
| + | * A transição não é mais praticável a partir do Nada (o início próximo), mas apenas a partir do ser (o termo longínquo). | ||
| + | * O percurso começa pelo fim: o chamado do ser. O sobrevindo que permite a transição exerce-se desde seu termo mais ignorado. | ||
| + | * A analítica existencial da angústia torna-se, assim, insuficiente ou mesmo supérflua para manifestar o " | ||
| + | * Os textos do Posfácio descrevem esta reivindicação com clareza. | ||
| + | * (i) "A voz do ser (die Stimme des Seins) (...) que toma em reivindicação (in den Anspruch nimmt) o homem em sua essência, para que ele aprenda a experimentar o ser no Nada." A experiência do ser resulta da irrupção convocatória do ser mesmo. | ||
| + | * (ii) O pensamento essencial " | ||
| + | * (iii) "A oferenda permanece na essência do acontecimento (Ereignis), enquanto o ser reivindica (in den Anspruch nimmt) o homem para a verdade do ser." A reivindicação é exercida pelo Ereignis, o último nome do ser, que "se apropria (er-eignet)" | ||
| + | * O centro de gravidade do questionamento desloca-se decisivamente. | ||
| + | * A analítica existencial, | ||
| + | * O único fio condutor para interpretar o Nada como ser provém diretamente do ser, demanda uma resposta diante do ser e se cumpre no Ereignis. | ||
| + | * Em última instância, trata-se menos do ser do que da reivindicação que ele exerce e graças à qual advém ao homem. | ||
| + | * Ou, inseparavelmente, | ||
| + | * Apenas a atenção a esta reivindicação abre a fenomenalidade do ser, ou abre a fenomenalidade para o ser. | ||
| + | * O ser só se diz reivindicando, | ||
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