estudos:marion:reducao-dom-doacao
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| + | ====== REDUÇÃO DO DOM À DOAÇÃO ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
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| + | === O presente sem a presença === | ||
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| + | * A aporia do dom (segundo Derrida) não é o resultado obrigatório, | ||
| + | * A incompatibilidade entre o dom (pensado segundo a doação) e a presença (pensada como subsistência) não significa que o dom não possa absolutamente aparecer. | ||
| + | * Significa que ele só pode aparecer // | ||
| + | * O paradoxo "o presente (dom) não pode estar presente na presença" | ||
| + | * Ao perder a presença (subsistência, | ||
| + | * Ele se dá na medida exata em que renuncia a ser, em que se excepciona da presença, em que se desfaz de si ao desfazer nele a subsistência. | ||
| + | * O dom não deve nada à presença; a questão da doação se abre na possibilidade do //presente sem presença// – fora do ser. | ||
| + | * A análise de Derrida oferece uma fórmula paradigmática: | ||
| + | * Isto aponta para uma duplicação possível do dom: | ||
| + | * (a) O dom que dá algo determinado (um dado, um presente), que é anulado por sua entrada na presença e na economia. | ||
| + | * (b) O dom que não dá um dado, mas "a condição de todo dado em geral" (ex: dar tempo, dar a vida, dar a morte). | ||
| + | * Contudo, esta duplicação é insuficiente para nossa investigação, | ||
| + | * Atribui ao novo dom uma função de " | ||
| + | * Não remonta do dom dado à doação como tal (seu " | ||
| + | * Redobrar um conceito geralmente apenas justapõe os termos de uma contradição. | ||
| + | * É necessário, | ||
| + | * Se a verdade (clara visão na presença) anula o dom, então o dom advém dispensando-se dessa verdade. | ||
| + | * Se a subsistência no intercâmbio anula o dom, então o dom se produz libertando-se dessa subsistência. | ||
| + | * As " | ||
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| + | === A economia faz economia da doação === | ||
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| + | * Os dois modelos a superar – interpretação causal da doação e interpretação econômica do dom – coincidem no //modelo padrão//. | ||
| + | * Neste modelo, os parceiros da doação (doador e donatário) já são interpretados como //causas// (eficiente, final). | ||
| + | * O dom, como produto dado, demanda uma causa formal e material. A eficiência domina toda a causalidade do intercâmbio. | ||
| + | * Simultaneamente, | ||
| + | * Este modelo padrão elimina o dom autêntico, aquele "a fundo perdido" | ||
| + | * No comércio da troca, o dom já se despojou de sua gratuidade; trocou-a por um preço. Desaparecido como tal, ele não oferece mais uma via para a doação. | ||
| + | * A gratuidade não basta para defini-lo, pois mantém o paralelo com a venalidade e se desdobra ainda no intercâmbio. | ||
| + | * O dom autêntico surge de si, sem se inscrever no circuito econômico. É preciso descrever seu aparecer singular, tal como ele se mostra de si, na medida em que [se] dá. | ||
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| + | === A tríplice ἐποχή === | ||
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| + | * Para acessar o dom em si mesmo, é preciso libertá-lo da economia e a doação da causalidade. Isto se faz por uma //redução fenomenológica// | ||
| + | * Reduzir o dom à doação e a doação a si mesma significa: pensar o dom como dom, abstraindo-se de toda transcendência. | ||
| + | * Isto implica uma //tríplice ἐποχή// | ||
| + | * (1) Suspensão da transcendência do donatário. | ||
| + | * (2) Suspensão da transcendência do doador. | ||
| + | * (3) Suspensão da transcendência do objeto trocado (o dom como ente subsistente). | ||
| + | * As objeções de Derrida (nenhum donatário, nenhum doador, nenhum objeto dado) convertem-se, | ||
| + | * As " | ||
| + | * Esta redução pode ser efetivamente realizada? Pode-se pensar o dom sem inscrevê-lo nos termos da troca? | ||
| + | * Para esboçar a resposta, tenta-se delinear esta tríplice ἐποχή a partir da questão: " | ||
| + | * Deve-se distinguir entre os vividos de uma consciência na posição de doador e os de uma consciência na posição de donatário. | ||
| + | * A suspensão dos dois extremos (doador/ | ||
| + | * O objeto dado pode ser reduzido, mas //para qual consciência//? | ||
| + | * Mesmo que ambos pudessem ser simultaneamente suspensos, a redução exigiria, //de direito//, que ao menos um dos dois se exceptue da redução, assumindo a função de //Eu transcendental// | ||
| + | * Haverá, portanto, um desequilíbrio inevitável (e talvez um movimento) entre o dom, por um lado, e o doador/ | ||
| + | * O estatuto daquilo que assume alternadamente a função de " | ||
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