estudos:marion:questao-de-principios
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revisionNext revision | Previous revision | ||
| estudos:marion:questao-de-principios [21/01/2026 13:08] – removed - external edit (Unknown date) 127.0.0.1 | estudos:marion:questao-de-principios [10/02/2026 11:25] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ===== QUESTÃO DE PRINCÍPIOS ===== | ||
| + | |||
| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
| + | |||
| + | * Dificuldade do tournant fenomenológico e questão do primeiro princípio: em sua simplicidade implacável, | ||
| + | * Dificuldade pode se medir pelo fio condutor da determinação do primeiro princípio da fenomenologia | ||
| + | * Desde a partida, a questão do princípio coloca uma questão de princípio: como atribuir um princípio ao método ou à ciência (três termos sinônimos em metafísica) que toma a iniciativa de se desfazer da iniciativa? | ||
| + | * Que tipo de princípio permaneceria um (indiscutível, | ||
| + | * Seria preciso então que o próprio conceito de princípio sofresse, ele também e o primeiro conforme a sua dignidade, o tournant fenomenológico? | ||
| + | * Princípio não cumpriria sua primazia senão desaparecendo diante da aparição? | ||
| + | * Deveria se deixar determinar por isso mesmo — a manifestação do que se manifesta — que pretende reger ou ao menos descrever? | ||
| + | * Neste caso, merece ainda o título de princípio? Certamente, na medida imprecisa onde um princípio derradeiro e último permaneceria ainda um princípio | ||
| + | * Que entender por princípio derradeiro? Se se trata de um último princípio para nós, primeiro em si, retornamos à aporia de partida (o domínio da manifestação pela demonstração) | ||
| + | * Se se trata bem do último enquanto último (a contra-método), | ||
| + | * Aporia não recai apenas sobre a identidade do princípio último da fenomenologia, | ||
| + | |||
| + | * Recensão das formulações que podem pretender a este posto: deve-se, na esteira de M. Henry, duvidar não somente de sua coerência, mas sobretudo de seu acesso à manifestação | ||
| + | * Primeira formulação: | ||
| + | * Husserl consagra assim uma oposição platônica perfeitamente tradicional, | ||
| + | * Primado assim reconhecido ao aparecer, que se torna o único rosto do ser, deixa-o ainda inteiramente indeterminado: | ||
| + | * Como ultrapassa o estatuto de simples aparência para se fazer a manifestação mesma do que é? Como o aparecer poderia bem, nesta indeterminação, | ||
| + | * Sobre esta mutação da fenomenalidade em manifestação, | ||
| + | |||
| + | * Segunda formulação do princípio: " | ||
| + | * Abre bem a questão do aparecer, mas de tal maneira que o ordena a " | ||
| + | * Sem dúvida, Husserl insiste, estas " | ||
| + | * Porém, mesmo sem o retorno fenomenológico em direção a elas, estas " | ||
| + | * Primado do ser sobre o aparecer rebaixa este último ao posto metafísico de um simples modo de acesso, que mostra sempre menos do que deveria, pois as " | ||
| + | * Inadequação ao tournant fenomenológico estoura à evidência | ||
| + | |||
| + | * Objeção e contra-objeção: | ||
| + | * Mas justamente, em que consiste a crítica que ela é suposta lhes endereçar? Que outra formulação os corrige? | ||
| + | |||
| + | * Terceira formulação do princípio, de fato a primeira e a única, pois Husserl a assume como tal sob o título sem ambiguidade de " | ||
| + | * Coloca, contra todas " | ||
| + | |||
| + | * Avanços do princípio de todos os princípios | ||
| + | * Certamente, libera a fenomenalidade da exigência metafísica de um fundamento: nenhum outro direito que a intuição é doravante requerido de um fenômeno para que ele apareça | ||
| + | * Por exemplo, o direito de aparecer não depende mais de uma razão suficiente, que o outorgaria a certos fenômenos "bem fundados" | ||
| + | * Certamente também, este princípio liberta a fenomenalidade do quadro e dos limites da analítica kantiana, não impondo nenhum //a priori// conceitual, nem mesmo nenhuma forma pura à intuição | ||
| + | * Certamente enfim, a fenomenalidade se vê reconhecer a mais alta figura da presença, sob o título da " | ||
| + | |||
| + | * Preço dos avanços: a intuição justamente liberada torna-se ela mesma a medida da fenomenalidade | ||
| + | * Primeiro porque a intuição torna-se em si mesma um //a priori//: segundo o " | ||
| + | * Em seguida porque este princípio assume que por vezes falta a "fonte de direito" | ||
| + | * Sem dúvida de que a própria definição da intuição implica sua penúria possível; porém, nenhuma análise vem esclarecer esta possibilidade, | ||
| + | * Mais, este defeito possível uma vez admitido, seria preciso repará-lo, medi-lo e escaloná-lo: | ||
| + | * A estas questões, o " | ||
| + | |||
| + | * Motivo radicalmente outro pelo qual a intuição permanece limite da fenomenalidade: | ||
| + | * Ou ainda: a intuição tem sempre por função preencher uma visada ou uma intencionalidade de objeto; portanto ela se ordena à objetividade e a sua consciência extática | ||
| + | * Desde então a intuição restringe a fenomenalidade a uma acepção limitada: a transcendência, | ||
| + | * Que esta acepção da fenomenalidade se desdobre o mais frequentemente e legitimamente, | ||
| + | * A intuição de preenchimento aplicada a uma intencionalidade de objeto define em geral toda fenomenalidade ou somente um modo restrito da fenomenalidade? | ||
| + | * A intuição de um objeto intencional cumpre sem nenhuma dúvida uma manifestação fenomenal, mas por isso toda manifestação de um fenômeno se cumpre pela intuição de uma intenção de objeto transcendente à consciência? | ||
| + | * Em suma, a constituição de um objeto intencional por uma intuição preenchendo um êxtase objetivante esgota toda forma de aparecer? | ||
| + | * Bem antes, deve-se perguntar se a intuição deve se restringir aos limites da intencionalidade e da transcendência do objeto, ou se ela pode se estender às possibilidades imensas do que se mostra | ||
| + | * Husserl aqui hesita: de um lado, parece pretender liberar o aparecer (e não somente a intuição) de todo princípio //a priori//; de outro lado, parece restringir a intuição ao preenchimento da intencionalidade de objeto, portanto limitar a ela o aparecer | ||
| + | * A intuição contradiz finalmente a fenomenalidade, | ||
| + | |||
| + | * Última distorção confirmando que a intuição contradiz a fenomenalidade: | ||
| + | * Ora sem redução, nenhum procedimento de conhecimento merece o título de fenomenológico | ||
| + | * Como então poderia ele mesmo fixar à fenomenologia sua contra-método, | ||
| + | * E se a intuição doadora não se exceptuasse da redução, seria preciso admitir que ela lhe ofereceria um pressuposto tácito? | ||
| + | * Mas então em que a redução permaneceria a operação inaugural de toda vista fenomenológica? | ||
| + | * A terceira formulação do princípio coloca bem o aparecer como tal, atribuindo-o à intuição somente; mas a intuição aí combate menos por que contra ele, pois parece ela mesma escapar à redução, portanto contradizer o aparecer que somente esta última permite | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
