estudos:marion:paradigma-objeto
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| + | ====== O paradigma do objeto ====== | ||
| + | MarionDado | ||
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| + | * Husserl, se não abordou a questão do ser senão confusamente ou insuficientemente, | ||
| + | * Mesmo a submissão de toda ontologia à redução não equivale à supressão da questão do ser: com efeito, pois que por princípio a redução reconduz sempre e unicamente à doação, reduzir a ontologia resultaria finalmente ainda em dá-la — sob o aspecto reduzido de um ente dado | ||
| + | * A verdadeira dificuldade não se encontra então aqui, tanto parece incontestável que a doação determina bem e realmente o sentido fenomenológico que Husserl mantém a " | ||
| + | * Surge da dupla imprecisão na qual Husserl deixa esta determinação | ||
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| + | * Primeira imprecisão sustenta-se na equivalência fundamental que o ente mantém com o objeto: "O ser imanente ou absoluto e o ser transcendente se nomeiam certamente ambos ' | ||
| + | * Esta imprecisão se desmultiplica aqui até a incoerência: | ||
| + | * Como identificar estes dois " | ||
| + | * Sobretudo, como justificar que " | ||
| + | * O texto propõe certamente uma resposta: trata-se, no segundo caso, apenas de " | ||
| + | * Mas é lícito em fenomenologia manter tais vazios, quando se trata de provocar e de considerar as doações fenomenais das " | ||
| + | * Que autoridade obscura impõe subsumir sob o objeto e sua objetidade tudo o que é e tudo o que se dá? | ||
| + | * Responder-se-á que se trata aqui de "... a ontologia formal [...] que é, como o sabemos, a ciência eidética do objeto em geral"? | ||
| + | * Mas de que direito o " | ||
| + | * Argumentar-se-á que não se trata certamente aqui de um fenômeno autêntico, mas do horizonte vazio que acolhe todos os fenômenos possíveis sem dever ele mesmo aparecer? | ||
| + | * Pois enfim por que motivo o fenômeno que só aparece enquanto se dá deveria sempre admitir a objetidade como seu horizonte originário? | ||
| + | * Por que este horizonte fenomenal não se abriria a partir, por exemplo, da própria doação que lhe dá de aparecer? | ||
| + | * Que privilégio fenomenológico deveria se conceder à objetidade — que não [se] dá, nem [se] mostra — face à doação que dá de se mostrar? | ||
| + | * A interpretação do ente a partir da objetidade não coloca então somente em causa sua entidade, mas sobretudo sua fenomenalidade, | ||
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| + | * O que conduz assim bem a uma segunda imprecisão — a que confunde a própria doação com a objetidade: "... produzir (// | ||
| + | * Como compreender esta equivalência insigne? Se se tratasse unicamente de admitir que "... o objetivo (//das Gegenständliche// | ||
| + | * A objetidade se encontra com efeito reduzida à doação através do aparecer; resulta bem na doação que a torna possível e a define como uma de suas modalidades | ||
| + | * Mas trata-se de fato para Husserl de muito outra coisa — de regular a doação pelo padrão da objetidade, implicitamente assumida como seu grau absoluto, até sua regra: "E não se trata de modo algum de estabelecer como dados não importa quais aparições (// | ||
| + | * Ora, que o objeto possa se dar também ele não implica que o dado deva sempre ou primeiro se objetivar | ||
| + | * Que a objetidade ofereça um modo da doação não autoriza a assimilar todos os modos de doação a modos de objetidade | ||
| + | * Que a doação ofereça a norma última da fenomenalidade exclui ao contrário por princípio que a objetidade possa resumi-la, normá-la ou medi-la | ||
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| + | * Husserl hipoteca assim sua conquista essencial — que, pela redução, a doação decide da fenomenalidade — ao submetê-la ao paradigma não interrogado da objetidade | ||
| + | * Assumindo sua equivalência, | ||
| + | * Husserl recua aquém de seu próprio avanço, ao restringir a doação a uma de suas menores possibilidades fenomenológicas, | ||
| + | * O que liberou não o liberou ele mesmo | ||
| + | * Congela-se diante de sua própria abertura | ||
| + | * A doação permanece assim uma abertura ainda impraticada | ||
