estudos:marion:objecoes-eu-transcendental
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revisionNext revision | Previous revision | ||
| estudos:marion:objecoes-eu-transcendental [21/01/2026 13:42] – removed - external edit (Unknown date) 127.0.0.1 | estudos:marion:objecoes-eu-transcendental [10/02/2026 11:25] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== OBJEÇÕES FORMAIS AO EU TRANSCENDENTAL ====== | ||
| + | |||
| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
| + | |||
| + | * Desqualificação contemporânea do " | ||
| + | * Deve-se à sua impotência sem cessar confirmada de fazer direito aos caracteres contudo os mais patentes de seu próprio fenômeno | ||
| + | * Para recensear estas insuficiências, | ||
| + | * Recondução em seguida a uma só aporia fenomenológica | ||
| + | |||
| + | * Primeira aporia formal: a título de Eu transcendental, | ||
| + | * Porque exerce uma pura função abstrata, "... a representação Eu não abraça nela a menor diversidade e ela é uma unidade absoluta (bem que puramente lógica)" | ||
| + | * Unifica as diversidades, | ||
| + | * Intervém então como "... uma e a mesma em toda consciência", | ||
| + | * O " | ||
| + | * Reproduz assim a unicidade do intelecto agente, que a interpretação de Aristóteles por Averróis já havia oposto à multiplicidade (empírica) dos entendimentos passivos, mas somente individualizados | ||
| + | * Que, nesta mesma tradição, obstinada a erradicar até a simples pretensão a um " | ||
| + | * Ou, se o diz, não pode cumpri-lo como o seu, porque não pode nele atingir nenhum " | ||
| + | * Tudo se passa como se o "eu penso", | ||
| + | * Donde um dilema evidente: se o "eu penso" a título transcendental não permite, melhor, interdita a individuação do " | ||
| + | * Certamente, entre estas duas vias, seguir-se-á a segunda: pensar o " | ||
| + | |||
| + | * Segunda aporia formal: a título de Eu transcendental, | ||
| + | * Não se trata somente da dificuldade clássica de demonstrar a existência do mundo exterior (Descartes, Malebranche, | ||
| + | * Trata-se sobretudo das implicações transcendentais do primado de um "eu penso" que acompanharia toda outra representação: | ||
| + | * Implicação que se notará doravante por um "eu [me] penso" | ||
| + | * Parecida circularidade não produz somente a tautologia formal do "eu penso" como "eu sou", imita sobretudo a identidade entre a essência e a existência desdobrada pelo pretendido " | ||
| + | * Todo pensamento (de qualquer essência que seja) compreende nele a existência (o primado ôntico-epistêmico) do Eu como "eu penso", | ||
| + | * Donde esta consequência, | ||
| + | * E, mesmo se se admitisse a boa-fundação deste solipsismo de princípio (Berkeley), não se poderia tolerar a inadequação que ele acarreta na simples descrição do " | ||
| + | * Nele mesmo com efeito, o primado do "eu [me] penso" não somente não permite dar conta da finitude do " | ||
| + | * Pois, se Kant mantém esta finitude, é porque redobra a espontaneidade do "eu penso" pela receptividade da sensibilidade, | ||
| + | * Inversamente, | ||
| + | * Aliás, Descartes não teria, o primeiro, retido o //ego// na finitude, se não tivesse tomado cuidado de enquadrar a //cogitatio sui// de um lado pela dúvida e a criação das verdades eternas e, de outro, por sua vontade formalmente infinita | ||
| + | * Parece então claro que o privilégio concedido ao único e somente "eu penso" para descrever a subjetividade resulta em contradizer ou ignorar o traço contudo essencial: sua finitude | ||
| + | * Aqui ainda se instaura um dilema: é preciso renunciar a pensar a finitude do " | ||
| + | * Inclina-se para a segunda solução | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
