estudos:marion:o-doado
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| + | ====== O doado ====== | ||
| + | * Assim nasce o doado, que o chamado faz suceder ao " | ||
| + | * O chamado o institui fenomenologicamente segundo os quatro traços de sua própria manifestação: | ||
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| + | * Convocação: | ||
| + | * Assim deve renunciar à autarquia de uma auto-posição e de uma auto-efetuação: | ||
| + | * O choque puro e simples (// | ||
| + | * A passagem do nominativo ao caso regime (acusativo, dativo) inverte assim a hierarquia entre as categorias metafísicas: | ||
| + | * Ao contrário, a relação precede aqui a individualidade | ||
| + | * E ainda: a individualidade perde sua essência autárquica em razão de uma relação não somente mais originária que ela, mas sobretudo semi-desconhecida, | ||
| + | * A essência individual sofre assim uma dupla relativização: | ||
| + | * Donde um paradoxo primordial: pela convocação, | ||
| + | * Portanto recebe-se do que não pensa nem clara, nem distintamente; | ||
| + | * A subjetidade se submete a uma identidade originariamente alterada, chamada | ||
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| + | * Surpresa: o interlocutado, | ||
| + | * Mas esta dominação o determina tanto mais radicalmente quanto permanece (ou pode permanecer) de origem indeterminada | ||
| + | * O chamado surpreende ao tomar o doado sem contudo sempre lhe ensinar o que quer que seja; reduz-o somente à espreita, congela-o em parada, coloca-o em disponibilidade imóvel para o que, justamente, pode não acabar de vir, até nem mesmo começar | ||
| + | * O doado dá toda sua atenção a um objeto essencialmente faltante; abre-se sobre uma distância vazia | ||
| + | * Parecida distância, imposta ao mim/me sem lhe dar conhecimento, | ||
| + | * A surpresa, esta dominação obscura e sofrida, contradiz a intencionalidade, | ||
| + | * Longe de vigiar com o olhar o terreno claro da objetividade a conhecer, o Eu transmutado em um mim/me se reconhece dominado pela reivindicação inconhecível | ||
| + | * A inversão da dominação (sur-presa) não faz então senão um com a desqualificação da compreensão objetivante (sur-presa) | ||
| + | * Uma e outra se confundem na mesma perda de conhecimento, | ||
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| + | * Descartes pode aqui servir de guia graças à sua definição da admiração: | ||
| + | * Esta aproximação tem contudo seu limite: parecida surpresa da admiração não permanece todavia não menos, para Descartes, uma primeira paixão do //ego//, portanto do " | ||
| + | * Ora descreve-se aqui uma afecção mais originária, | ||
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| + | * Interlocução: | ||
| + | * Não se trata mais de se compreender no caso nominativo (visando o objeto — Husserl), nem no genitivo (do ser — Heidegger), nem mesmo segundo o acusativo (acusado por outrem — Lévinas), mas segundo o dativo: recebo-me do chamado que me dá a mim mesmo, antes de me dar o que quer que seja | ||
| + | * Seria preciso quase supor que este estranho dativo não se distingue mais aqui do ablativo, pois o mim/me torna possível (como obreiro, meio), enquanto primeiro dom repartido pelo chamado, a abertura de todas outras doações de dados particulares | ||
| + | * Recebendo-se do chamado que o convoca, o doado se abre então a uma alteridade, da qual o outrem pode eventualmente lhe faltar, mas que aparece assim tanto mais | ||
| + | * Como a surpresa abre mesmo ao objeto desconhecido ou defeituoso, a interlocução abre a outrem mesmo indeterminado ou anônimo | ||
| + | * Assim o doado se libera de saída — desde seu nascimento — do solipsismo | ||
