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estudos:marion:dar-se-mostrar-se

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 +====== DAR-SE, MOSTRAR-SE ======
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 +//MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.//
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 +  * Investiga o estatuto conceitual da //doação// e sua relação essencial com o fenômeno
 +    * Aborda a objeção de que //doação// seria apenas um significante ambíguo sem conceito unificado
 +    * Defende que sua polissemia resulta de um conceito que articula precisamente ato, resultado, ator e modo
 +  * Análise da ambiguidade constitutiva da //doação// no uso francês
 +    * Dualidade inerente: a //doação// significa tanto o ato de dar (//donner//) quanto o resultado dado (//don//)
 +    * Crítica à tentativa de se restringir ao //donné// (dado) para evitar a ambiguidade
 +      * Ilustração com o caso limite do //dado// (dado de um problema)
 +        * Mesmo o //dado// mais neutro implica uma imposição, um advir ao receptor
 +        * Sua característica de ser proposto, distribuído ou imposto revela o movimento da //doação//
 +        * O //dado// abre uma nova situação e uma nova sequência temporal, indicando seu surgimento
 +      * Conclusão: um fato puro, sem o caráter de dado advindo, seria ininteligível e não constituiria um problema
 +    * O //dado// atesta a //doação// por sua imposição e por seu trabalho ulterior
 +  * Explicitação do conceito de //doação// como o //pli// (dobra) do dado
 +    * A //doação// não é externa ao dado; ela se inscreve nele como o caráter de seu advento
 +    * Exemplo de Spinoza: da essência //dada// (//data//) segue-se necessariamente um efeito
 +      * A necessidade de dedução pressupõe a imposição (a doação) da própria essência como dada
 +    * O dado sempre porta a marca do evento por que se impõe; sua ambiguidade (fato e processo de acesso) é constitutiva
 +    * A //doação// é a //dobra// do dado: a articulação do dom dado (resultado) sobre seu processo de advento
 +    * A questão da //doação// consiste precisamente na investigação dessa relação
 +  * Consequência metodológica: a carga da prova inverte-se
 +    * Não se trata mais de justificar o pensamento do fenômeno a partir da //doação//
 +    * Trata-se de saber se ainda se pode pensar o fenômeno sem a //doação//
 +    * A hipótese de um fenômeno que aparece sem se dar parece contraditória e exigiria prova fenomenológica precisa
 +  * Exame da dificuldade de traduzir o alemão //Gegebenheit//
 +    * A dificuldade revela a tentativa de transpor em dois termos um único conceito que marca uma dualidade
 +    * Crítica à proposta de traduzir //Gegebenheit// ora por "dado"/"dada", ora por "presença"
 +      * A separação é arbitrária e imprecisa, pois os sentidos se justapõem constantemente
 +      * A tradução por "presença" é problemática, pois Husserl pensa a presença a partir da //doação//, e não o inverso
 +    * A decisão de traduzir por um termo único ("dado") implica uma opção conceitual: separar o dado de qualquer processo de doação
 +      * Isso reduziria o dado a um fato bruto, neutro, sem estatuto de dom
 +      * Tal operação contradiz o projeto husserliano de reconduzir o objeto aos seus modos de doação
 +    * O verdadeiro motivo para ocultar o //pli// da //Gegebenheit// é a dificuldade do conceito
 +      * O paradoxo da //doação//: o dado aparece, mas o processo de doação que o produz permanece dissimulado
 +      * A fenomenologia ganha sua legitimidade ao tornar visível justamente o invisível desta doação
 +  * Formulação da tese central: o fenômeno //se dá//
 +    * Justificativas para esta fórmula:
 +      * a) Ela faz jus à definição husserliana do fenômeno na correlação entre aparecer (//Erscheinen//) e aparecente (//Erscheinenden//), ambos como //Gegebenheiten//
 +      * b) O fenômeno só pode aparecer em pessoa, sem déficit de um em-si, se ele //se dá//, força o acesso à cena do mundo
 +      * c) Reciprocamente, o que //se dá// deve //se mostrar//. Dar implica dar a ver a uma instância (ex., uma consciência). O dado explode na visibilidade.
 +      * d) A fórmula ecoa e precisa a definição heideggeriana do fenômeno como "aquilo-que-se-mostra" (//das Sichzeigende//)
 +        * O "si" (//sich//) desta definição é impreciso. Sugere-se que ele consiste na dobra (//pli//) que distingue e liga o surgimento (doação) ao dado.
 +        * O fenômeno se mostra por si porque é levado pelo impulso de sua //doação//
 +    * Conclusão: //Se mostrar// equivale a //se dar//. Mostrar-se é desdobrar a dobra da //doação// onde o fenômeno surge como um dom.
 +  * Tarefa subsequente anunciada: verificar no detalhe dos fenômenos como se exerce a primazia fenomenológica da //doação//
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 +{{tag>Marion}}