estudos:marion:da-se
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| + | ====== “Dá-se” – um avanço ====== | ||
| + | MarionDado | ||
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| + | * Pensar a fenomenalidade do ser, portanto o ser segundo a doação — se tal foi o desígnio inacabado de Husserl, então Heidegger não teria cessado, sobre este ponto como sobre muitos outros, de permanecer profundamente husserliano | ||
| + | * De um extremo ao outro de seu percurso, coloca e mantém a questão do ser na figura mais originária do "//es gibt//" | ||
| + | * Mas, ao fim, recua também ele diante da originariedade da doação | ||
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| + | * Com efeito, desde //Ser e Tempo//, onde o ser teria devido enfim e decididamente se abrir para e sobre ele mesmo e fixar seu horizonte absolutamente próprio (o tempo), encontra-se contudo já acompanhado e mesmo precedido pelo " | ||
| + | * De saída, nele permanece: "O ser se encontra no fato e na maneira de ser, na realidade, a subsistência, | ||
| + | * Como compreender que o ser permaneça em o que quer que seja que não seja ele? Se se responde que se trata dos depósitos ônticos onde se ancora e se abre, ter-se-á certamente razão para todos os exemplos enumerados aqui, salvo precisamente para o último, o " | ||
| + | * Trata-se então já de uma instância não ôntica tornando o ser ao menos aqui acessível | ||
| + | * Nenhuma necessidade de recordar que em 1927, o acesso a, portanto a possibilidade do ser reside com efeito no //Dasein//; mas parece útil sublinhar que o //Dasein// desdobra esta possibilidade ao exercer e colocar em obra uma doação | ||
| + | * Outros textos o estabelecem sem ambiguidade | ||
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| + | * "Em todos os casos, 'isso [não] dá' [de] ser senão enquanto o //Dasein//, isto é, a condição de possibilidade da compreensão de ser, é" | ||
| + | * O ser admite uma condição ôntica, o //Dasein//, que tem que ser para que o ser ele mesmo seja — ou antes (pois o ser não saberia ser) advenha sob a figura de uma doação | ||
| + | * Para aparecer segundo seu modo absolutamente próprio, o ser advém em um " | ||
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| + | * " | ||
| + | * Com uma extrema precisão, este texto desdobra sua sequência: trata-se do ser, não do ente; portanto a fenomenalidade do ser não pode se mostrar sendo, nem como um ente | ||
| + | * Desdobra então segundo sua verdade absolutamente própria, que somente o //Dasein// assegura, a título de condição ôntica do ser | ||
| + | * Como esta fenomenalidade se desdobra? Segundo a doação, por um " | ||
| + | * No instante mesmo de sua primazia e de sua transcendência ainda aqui incontestadas, | ||
| + | * Pode-se mesmo dizer que a analítica inteira do //Dasein// só consiste em uma encenação, | ||
| + | * O ente se descobre, mas o ser "se diferencia dele essencialmente" | ||
| + | * Avança-se a hipótese de que este modo radicalmente diferente de fenomenalidade se cumpre por um " | ||
| + | * O ser, enquanto difere do ente, aparece imediatamente segundo a doação | ||
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| + | * Não se deve temer aqui alguma sobreinterpretação de metáforas arriscadas sem conceito por //Ser e Tempo//, pois o próprio Heidegger as confessou ainda ao fim como já determinantes: | ||
| + | * Desta auto-interpretação de 1962, é preciso reter uma confirmação e uma interrogação | ||
| + | * Uma confirmação: | ||
| + | * Nenhuma equivocidade nos empregos, nenhuma ruptura; as duas meditações, | ||
| + | * A investigação pode se prosseguir de pleno direito | ||
| + | * Resta uma interrogação: | ||
| + | * Mas é evidente que se trate aí de uma falta? Ao contrário, o dá-se "não permaneceria tanto mais conforme à doação quanto resistisse melhor à atração de toda instância, qualquer que seja?" | ||
