estudos:marion:da-doacao-a-manifestacao
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| + | ====== DA DOAÇÃO À MANIFESTAÇÃO ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
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| + | * Donde surge o atributário, | ||
| + | * Formalmente, | ||
| + | * Trata-se então apenas de descrever esta cena, onde o que vem depois do " | ||
| + | * Esta descrição oferece contudo bastante dificuldade, | ||
| + | * Assim poder-se-á atingir sua última denominação, | ||
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| + | * Evento do que se mostra enquanto se dá, ou antes um qualquer dentre os fenômenos que se dão: por exemplo, pois Descartes já o expôs, um pedaço de cera | ||
| + | * Que dá ele quando entra no campo de sua experiência possível por uma //inspectio mentis//? | ||
| + | * Segundo a doutrina cartesiana do código, a " | ||
| + | * O pedaço de cera não dá, a estritamente falar, senão: a fórmula química de composição deste tipo de cera em geral, a quantidade de moléculas assim definidas correspondendo ao corpo físico constituindo este pedaço de cera, e as coordenadas espaço-temporais deste pedaço de cera | ||
| + | * Estes caracteres se descrevem todos em termos de extensão, de figura e de //Mathesis universalis// | ||
| + | * A eventual diferença entre os conceitos que utilizava Descartes e os que lhe prefere o estado contemporâneo dos conhecimentos (a supor que se possa fixá-lo) importa menos aqui, que o que partilham: a doação pobre em intuição que realizam a fórmula, a quantidade e as coordenadas do pedaço de cera, e que permite certamente defini-lo, mas de modo algum vê-lo | ||
| + | * O conceito da cera não a mostra ainda, sua inteligibilidade não a fenomenaliza sempre | ||
| + | * A metafísica admitia aliás esta distância, até a reivindicava | ||
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| + | * Descartes (depois de Galileu e antes de Locke) a formaliza ao cavar uma solução de continuidade radical entre a verdade da " | ||
| + | * Esta cesura não deve se banalizar em uma simples oposição entre as " | ||
| + | * Sem dúvida, a cesura entre a " | ||
| + | * A diferença entre o que se dá segundo uma intuição pobre (o conceito modelizado e medido da " | ||
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| + | * A cera — antes e sem sua modelização, | ||
| + | * Dá-se a ver estritamente (de uma cor que vira do amarelo ao vermelho), mas dá-se também a tocar (passando do frio ao quente), a ouvir (passando do som batido ao deslizamento silencioso), | ||
| + | * Meus? Que " | ||
| + | * Ele não constitui nenhum objeto unificado por conceito, mas se deixa atribuir tantos " | ||
| + | * O " | ||
| + | * Caracteriza-se bem antes por um privilégio fenomenológico incontestável, | ||
| + | * A saber a se dar a ponto de se mostrar a partir de si, de fenomenalizar sua doação até tornar manifesta sua ipseidade insubstituível | ||
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| + | * O " | ||
| + | * O atributário, | ||
| + | * Contra a metafísica, | ||
| + | * O atributário não recebe então somente o que se dá — permite ao dado de se mostrar enquanto se dá | ||
| + | * O pedaço de cera só se mostra aos " | ||
| + | * A fenomenalidade não se compreende, recebe-se | ||
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| + | * Receber, para o atributário, | ||
| + | * Vai sem dizer que tal receptividade não saberia se definir no quadro de uma oposição trivial entre a passividade e a atividade, pois tem por privilégio mediatizá-las | ||
| + | * Esta mediação permite aliás precisar dois caracteres essenciais do atributário | ||
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| + | * Primeiro caráter essencial do atributário: | ||
| + | * Ao receber o que se dá, dá-lhe em retorno de se mostrar — dá-lhe forma, sua primeira forma | ||
| + | * Para além da atividade e da passividade, | ||
| + | * O atributário se propõe então como um filtro ou um prisma, que faz surgir a primeira visibilidade, | ||
| + | * Tal filtro define assim uma função: manifestar o que se apresenta (se dá), mas que deve ainda se introduzir em presença do mundo (se mostrar) | ||
| + | * Esta função caracteriza aqui sem surpresa o polo-consciência (ou como se queira dizer), tal que ele proporciona o aberto fenomenológico, | ||
| + | * Mas esta função característica permite também levantar enfim a ambiguidade até aqui preservada do "a qu[em]": | ||
| + | * Apresentar o que se dá, de modo que ele se mostre ao mundo; pois esta apresentação implica a recepção no " | ||
| + | * Portanto o atributário, | ||
| + | * Deve então também poder dizer o " | ||
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| + | * Segundo caráter essencial do atributário: | ||
| + | * O filtro se desdobra primeiro como uma tela | ||
| + | * Antes que se dê o dado ainda não fenomenalizado, | ||
| + | * Somente o impacto do que se dá faz surgir, de um único e mesmo choque, o relâmpago de que estoura sua primeira visibilidade e a tela mesma onde ele se esmaga | ||
| + | * O pensamento surge da indistinção pré-fenomenal, | ||
| + | * Recebe-se ela mesma no instante exato onde recebe o que se dá para, graças à sua própria recepção, se mostrar enfim | ||
| + | * O pensamento do polo-consciência nasce com a manifestação que torna visível sem o saber, nem o querer, nem mesmo talvez o poder | ||
| + | * Assim é por "... nada de mais que o sentimento de uma existência [// | ||
| + | * E não se trata aí nem do conhecimento de um objeto, nem de uma impressão subjetiva, pois o pensamento originariamente receptor joga aqui aquém da distinção do fenômeno e do em-si | ||
| + | * "Esta proposição ['eu penso' | ||
| + | * Esta existência de fato não se representa, mas se prova por um sentir anterior à quadratura da fenomenalidade constituída (noúmenos, fenômenos, objetos) e instituído pela fenomenalidade que reivindica a doação | ||
| + | * O atributário responde do que se mostra, porque responde ao que se dá — primeiro ao dele se receber | ||
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| + | * Se o atributário se determina como um pensamento, que transforma o dado em manifesto e se recebe do que recebe, em suma se nasce do surgimento mesmo do fenômeno enquanto dado, isto é, de um dado exercendo o simples impacto de seu evento, que será dele quando surgir um fenômeno dado enquanto saturado? | ||
| + | * O impacto se radicalizará em chamado e o atributário em doado | ||
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