estudos:marion:contra-metodo
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| + | ====== CONTRA-MÉTODO ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
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| + | * Distinção fundamental entre demonstração e manifestação fenomenológica | ||
| + | * Demonstração nas ciências e na metafísica: | ||
| + | * Fenomenologia como tentativa de pensar em modo não metafísico: | ||
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| + | * Contestação do pretenso privilégio da visão na fenomenologia | ||
| + | * Primado da visão frequentemente cede ao tato ou à escuta; pressuposição ruinosa: primado de um sentido só importa se a percepção determina finalmente a aparência, isto é, se a aparência remete em última instância à percepção | ||
| + | * Finalidade da fenomenologia: | ||
| + | * Distinção entre ver, escutar e sentir torna-se determinante apenas quando a percepção assume papel subjetivo de filtrar, interpretar e deformar a aparência da aparição | ||
| + | * Quando a aparição domina o aparecer, especificações subjetivas da aparência deixam de importar essencialmente: | ||
| + | * Imperfeição da doação (parcial, por esboços) não impede que a coisa chegue na carne mesma de sua aparição; imperfeição pressupõe já a aparição em pessoa da coisa que ela limita | ||
| + | * Pretenso privilégio da visão só se torna determinante quando se fracassa o privilégio decisivo: aparição da coisa mesma no seio de sua aparência sensível, perceptível, | ||
| + | * Estudo deste privilégio da aparição constitui o assunto próprio da fenomenologia, | ||
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| + | * Manifestação como privilégio de aparecer na aparência: manifestação da coisa a partir dela mesma e como ela mesma, privilégio de se tornar manifesta, de se fazer ver, de se mostrar | ||
| + | * Correção necessária do ponto de partida: em regime fenomenológico não se trata apenas de mostrar, pois a aparição poderia ainda permanecer objeto de uma tomada de vista, simples aparência | ||
| + | * Trata-se de deixar a aparição se mostrar em sua aparência segundo seu aparecer; simples passagem de demonstração a // | ||
| + | * Ensaios de fenomenologia que não perceberam isto claramente repetiram e corroboraram o privilégio da percepção e da subjetividade metafísicas sobre a manifestação | ||
| + | * Primeira passagem deve se completar com segunda: passar de mostrar a deixar se mostrar, da manifestação à manifestação de si a partir de si daquilo que então se mostra | ||
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| + | * Dificuldade fundamental: | ||
| + | * Paradoxo inicial e final da fenomenologia: | ||
| + | * Ao contrário de toda metafísica, | ||
| + | * Começo metodológico estabelece apenas as condições de seu próprio desaparecimento na original manifestação do que se mostra | ||
| + | * Reversão deve respeitar operações precisas (visadas, preenchimentos, | ||
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| + | * Dificuldade do paradoxo e retomada incessante do tema do método: sem este paradoxo a fenomenologia permaneceria apenas um novo nome vazio para uma metafísica então perenizada | ||
| + | * Dificuldade provocou desde o início husserliano retomada ela mesma sem cessar a retomar do tema do método | ||
| + | * Para deixar a aparição se manifestar convém proceder metodicamente; | ||
| + | * Método não deve assegurar a indubitabilidade no modo de posse de objetos certos produzidos segundo condições //a priori// do conhecimento; | ||
| + | * Contrariamente ao método cartesiano ou kantiano, método fenomenológico mesmo quando constitui os fenômenos limita-se a deixá-los se manifestar | ||
| + | * Constituir não equivale a construir nem a sintetizar, mas a dar-um-sentido, | ||
| + | * Método não avança diante do fenômeno pré-vendo-o, | ||
| + | * Dissolvendo as aporias, restabelece a porosidade da aparência, senão sempre a transparência nela da aparição | ||
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| + | * Redução como operação por excelência de desobstrução: | ||
| + | * Função da redução culmina em desobstrução dos obstáculos à manifestação | ||
| + | * Analogia com estado de direito: força pública deixa as manifestações passar, opiniões se publicar, consultas se organizar; deixa fazer e passar o que tem direito a isso, exercendo-se apenas contra violências de fato | ||
| + | * Redução deixa se manifestar o que tem direito a isso, usando sua força de suspensão apenas contra violências teóricas ilegítimas | ||
| + | * Fenomenologia negativa (fórmula ambígua a empregar com reserva): deve-se entendê-la da própria redução | ||
| + | * Método não provoca tanto a aparição do que se manifesta quanto desobstrui ao redor dela os obstáculos que a ofuscariam; redução não faz nada, deixa a manifestação se manifestar | ||
| + | * Redução toma a iniciativa de considerar seriamente o que é vivido pela consciência apenas para devolvê-la ao que se manifesta | ||
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| + | * Dificuldade própria da redução e seu movimento de inversão: motivo pelo qual permanece sempre a fazer e refazer, sem fim nem sucesso suficiente, reside na viragem que deve tomar e onde se inverte em //zigzag// | ||
| + | * É preciso fazê-la para desfazê-la e deixar se fazer a aparição do que se mostra nela, mas finalmente sem ela | ||
| + | * Redução abre o espetáculo do fenômeno primeiro como diretor de cena onipresente, | ||
| + | * Ao fim, o fenômeno ocupa a tal ponto a cena que a reabsorve nele e não mais se distingue dela: auto-//mise en scène// | ||
| + | * Redução se cumpre exatamente com esta viragem | ||
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| + | * Método fenomenológico como contra-método: | ||
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