estudos:marion:como-outros-fenomenos
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| + | ====== "… COMO OS OUTROS FENÔMENOS …" ====== | ||
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| + | //MARION, Jean-Luc. Étant donné: essai d’une phénoménologie de la donation. 2e. ed. Paris: PUF, 1998.// | ||
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| + | * Torna-se doravante possível afrontar a aporia propriamente fenomenológica do " | ||
| + | * Com efeito, ao se reduzir a um "eu penso", | ||
| + | * A ponto de que, desde que quer se representar diretamente ele mesmo a ele mesmo, não dispõe mais de nenhuma outra possibilidade que assumir mais uma vez (e demais) a fenomenalidade mais pobre: a do objeto | ||
| + | * "Eu penso" se ordena a tal ponto ao objeto, que ele mesmo não pode mais aparecer, nem se aparecer senão como um outro objeto, ou ao menos no horizonte da objetidade | ||
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| + | * Kant estigmatizou esta aporia sem nenhuma ambiguidade: | ||
| + | * É preciso então bem concluir desta extraordinária sequência que eu sou então um objeto a mim mesmo, ou antes que Eu é um objeto, posto que deve me aparecer | ||
| + | * Com efeito, pois que aparecer só admite uma modalidade, a da objetidade, Eu aparece "como os outros fenômenos", | ||
| + | * Isto não faz "... nem mais nem menos de dificuldade" | ||
| + | * A função de acompanhamento de toda representação, | ||
| + | * Tal "eu penso" não pode então de modo algum pretender assegurar-se os caracteres próprios de uma verdadeira subjetividade | ||
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| + | * Kant tem perfeitamente razão: de seu "eu penso", | ||
| + | * Mas, longe de que se deva desqualificar por isso estes caracteres como tantos paralogismos, | ||
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| + | * Ninguém melhor que Heidegger viu e denunciou esta insuficiência, | ||
| + | * Para ultrapassar esta deficiência, | ||
| + | * Convém então examinar se esta última determinação de seu sentido de ser permite ao //Dasein// ultrapassar o " | ||
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| + | * Não haveria certamente nenhum sentido em contestar que //Ser e Tempo// coloque não somente em causa o Eu transcendental kantiano (tal como poderia bem reaparecer em 1913), mas também o Eu fenomenológico no fundo mesmo que lhe atribuíam sem dúvida definitivamente as // | ||
| + | * O " | ||
| + | * A intencionalidade constituidora de objetos certamente permanece, mas reduzida ao posto de um caso derivado da determinação fundamental, | ||
| + | * Está nele como uma parte tomante, eventualmente tomada à parte por aquilo que lhe faz confronto | ||
| + | * O mundo não se resume mais na soma dos objetos constituídos, | ||
| + | * Este mundo não pode contudo assim se abrir, senão enquanto previamente incumbe ao //Dasein// fazer a abertura em geral por sua própria ekstase | ||
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| + | * Esta ekstase sustenta-se nisto que, longe de se fundar sobre sua essência ou de fundar sua essência sobre um substrato próprio (segundo as duas postulações, | ||
| + | * Bem melhor: o ente para o qual, quando está em jogo seu ser, está em jogo também o ser de todos os outros entes | ||
| + | * Parecida apropriação do ser ao eu — "O ser deste ente é a cada vez meu [//je meines// | ||
| + | * Resulta antes da impossibilidade feita aos outros entes de atingir seu ser e sobretudo da impossibilidade feita ao único //Dasein// de aceder ao ser diferentemente que nele se colocando propriamente em jogo na primeira pessoa — nele se arriscando como se expõe à morte | ||
| + | * O ser se abre ao //Dasein// como a morte o afeta de possibilidade: | ||
| + | * A " | ||
| + | * O ser-para-a-morte concede então ao //Dasein// o que o "eu [me] penso" faltava sempre: a individuação insubstituível, | ||
| + | * Aqui, pela primeira vez se encontra dissipada a principal ambiguidade do //ego// cartesiano, sua dualidade transcendental e empírica | ||
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